Manuela Ramos e Sueli Leon
Profissional de Secretariado Executivo: breve discussão sobre formação e identidade
O Curso de Secretariado Executivo da Universidade Federal de Sergipe (UFS) foi criado no ano de 2007 e a concorrência no processo de seleção via vestibular tem crescido a cada ano. No primeiro ano de seleção, a concorrência era de 5,74, passando para 13 no último vestibular que ocorreu em 2012. A formação dos alunos contempla um sólido perfil profissional para a atuação em organizações públicas, privadas, bem como em organizações da sociedade civil organizada.
Dentre as tarefas cotidianas do profissional de secretariado executivo, estão: elaboração e revisão de textos e documentos, métodos de arquivos, administração de correspondências, planejamento e organização da rotina administrativa e secretarial para que as decisões do gestor sejam executadas com presteza e qualidade. O secretário viabiliza decisões, assessora gestores, gerencia processos administrativos, o fluxo de informação e comunicação, equipes, além de auxiliar os executivos na apresentação e na organização de eventos, viagens e reuniões de negócios. Em síntese, a profissão cresceu e hoje esse é o profissional responsável por assessorar gestores, em diversos níveis, e em qualquer tipo de organização.
O perfil exigido deste profissional justifica os resultados da pesquisa realizada pela Manpower, publicada por InfoMoney, em 2011, a qual coloca os secretários em 7ª e 4ª colocação no ranking dos profissionais que estão em falta no mercado de trabalho brasileiro e internacional, respectivamente. Neste sentido, o curso de secretariado executivo da UFS prepara os discentes para uma atuação no mercado de trabalho pautada nos conceitos de conhecimento, habilidades e atitudes exigidos pelas organizações modernas. As competências são desenvolvidas a partir da aprendizagem teórica e prática vivenciada durante o curso.
Nesta perspectiva, o curso proporciona aos discentes a capacidade de aplicar, em situações reais de trabalho em organizações, as teorias inerentes à profissão, estudadas ao longo do curso. Isso acontece através da prática do estágio, cujas experiências contribuem para o crescimento pessoal e profissional do discente. A participação do discente no cotidiano das empresas, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino, é também considerada como uma atividade de aprendizagem social e cultural.
Há, em especial, uma importante questão a ser esclarecida quanto à evolução desta profissão. Trata-se da discussão sobre gênero. As questões relativas ao discurso sobre as diferenças entre gêneros remetem à sua evolução histórica e à construção de identidade. A divisão dos gêneros dos profissionais em secretariado ocorreu principalmente durante o período da Segunda Guerra Mundial. Anterior a este período, a presença masculina no mercado de trabalho era predominante; contudo, com a ida dos homens aos campos de guerra, surgiram oportunidades de inserção das mulheres no mercado de trabalho, atingindo várias profissões, de maneira, geral, e a profissão de secretário, de maneira particular.
Souza (2007) ressalta que grandes nomes da História exerceram o secretariado, a exemplo de Rainer Maria Rilke, Bourriene, Meneval e Fain, Thomas Hobbes, Lorenzo Valla, Poggio Bracciolini, São Jerônimo e Maquiavel. Destacamos esses nomes, dentre tantos outros, para esclarecer que, em um claro cenário de uma função altamente importante, homens cultos a desempenharam, o que dá mostras do quanto essa era uma atividade essencialmente masculina.
Para Araújo (2007), desde a infância, nós, seres humanos, deparamo-nos com definições de masculino e feminino e adquirimos hábitos que, por exigência da sociedade, nos identificam como homens ou mulheres e influenciam na escolha da profissão ao ingressar na carreira profissional. Contudo, crescem as oportunidades de mercado para a profissão de secretariado, que a cada dia exige mais conhecimento. Dessa forma, a abrangência das funções secretariais evidencia que as competências do secretário executivo podem ser atribuídas a esse profissional, independente do gênero.
Apesar das diversas pesquisas que discutem o fato de que as identidades são dinâmicas, heterogêneas e que buscam mostrar que gênero não é algo biologicamente determinado e sim socialmente construído, a sociedade ainda se orienta para a manutenção de profissões, atividades e campos de atuação exclusivamente femininos, alimentando, assim, este estereótipo. Este fato ocorre muito fortemente no Secretariado, conforme nos lembram os estudioso da área (ARAUJO, 2007 apud BARROS, IZEQUIEL, SILVA,2011).
Dada a importância do profissional de secretariado executivo no cenário atual, surgiu a ideia de prestar este esclarecimento a respeito desta profissão milenar. Este texto procurou apresentar, em particular, ao mercado de trabalho sergipano, um breve perfil desse profissional e de sua contribuição no âmbito das organizações, afirmando que a atuação do secretário ou secretária não é uma questão de gênero, mas sim uma questão de formação acadêmica e competência.
*Manuela Ramos da Silva e Sueli Leon são professoras do Curso de Secretariado da Universidade Federal de Sergipe.
