Sex, 20 de maio de 2022, 16:30

Encontro discute acessibilidade para pessoas com deficiência
Evento foi planejado e organizado pelo Comitê Gestor PRAINCLUIR

Aconteceu na manhã desta sexta-feira, 20, no Auditório Libório Firmo, no prédio da Reitoria da Universidade Federal de Sergipe, o primeiro Encontro de Acessibilidade na Universidade, com o tema “desafios e possibilidades”. O evento faz parte da programação dos 54 anos da UFS e ocorre na véspera (e em alusão) ao Dia Mundial da Conscientização sobre a Acessibilidade, comemorado no dia 21 de maio.

Dados de 2021 mostram que apenas 27% dos estudantes da UFS com algum tipo de deficiência, que deveriam ter concluído seus cursos, de fato finalizaram sua trajetória na graduação. O índice de permanência dos discentes no ensino superior tem enfrentado quedas não apenas na UFS, no entanto, o desafio para as Pessoas Com Deficiência (PCD) é flagrantemente maior. Os números foram apresentados pela professora Lavínia Teixeira, uma das organizadoras do evento.

“A proposta do Comitê PRAINCLUIR é que, de fato, a gente consiga implementar aqui na universidade, em todos os centros, em todos os campi, tudo o que podemos fazer para que se tenha acesso de qualidade [à universidade], e de forma que seja proveitosa pro aluno, e que o aluno de fato conclua sua graduação com êxito e com qualidade”, diz Lavínia.


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A docente se refere ao Comitê Gestor PRAINCLUIR, colegiado responsável por gerir e acompanhar as iniciativas do Programa de Ações Inclusivas da UFS. Além de integrar o Comitê, Lavínia utiliza a dança como terapia, com crianças e jovens com autismo, síndrome de Down e paralisia cerebral, em seu grupo TALT (Técnica Aplicada Lavínia Teixeira).

“Direito não é aquilo que nos é dado, mas aquilo que ninguém pode tirar de nós. Devemos promover os direitos humanos, a equidade. Quando falamos de equidade, estamos falando de promover o mesmo acesso, a mesma qualidade de ensino (trazendo aqui para as questões da universidade), para todas as pessoas, para todos os alunos que tenham deficiência ou não, que tenham necessidades especiais ou não”, diz a professora.

As barreiras são cotidianas e se apresentam de diversas formas, como relata Mangery Kristiane Araujo, representante discente (PCD) no Comitê PRAINCLUIR. Para chegar ao auditório, ilustra a aluna, ela já enfrentou desafios: “passei por vários departamentos para vir para cá, e precisei de um mapa”. “Será que eu vou conseguir passar por algum local com a cadeira? Onde não esteja chovendo ou não tenha buraco?”, questionou-se a jovem enquanto se deslocava para a Reitoria.

“Que bom ter este evento para entendermos o que este momento traz para a universidade, diante de uma palavra tão grandiosa que é a acessbilidade”, pondera Mangery. Apesar das dificuldades, ela admite que sua permanência nos estudos tem a contribuição de ações da UFS, como a cadeira de rodas que conseguiu através da Divisão de Ações Inclusivas (Dain). “[Em decorrência da] deficiência física, tenho alguns problemas cognitivos, psicológicos, [com os quais], hoje em dia, a universidade está me ajudando muito. Só de ter reabilitação, posso dizer que esse semestre foi um semestre ganho”, conta.


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O reitor, Valter Santana, admite as dívidas que a instituição tem com essa comunidade, reforçando a necessidade de investimentos, consciência e diálogo.

“A universidade tem o compromisso de ofertar o ensino para todos, tendo como prioridade aqueles que precisam de um auxílio para poder aprender. É desafiante. Estamos aqui completando 54 anos dentro de estruturas antigas, temos ganhos que estão sendo construídos. A administração da universidade está aberta para discutir as nossas necessidades”, avalia.

Pró-reitor de assuntos estudantis, Marcelo Mendes destaca a importância do Comitê PRAINCLUIR — do qual é presidente — para o avanço das pautas da comunidade PCD.

“Discutir a acessibilidade do ponto de vista da nossa gestão, a gente tem que pensar em várias questões, não somente as questões arquitetônicas, para poder garantir que o discente possa se locomover em todas as partes da universidade, mas também do ponto de vista das tecnologias da comunicação, que é um tema também que estamos discutindo dentro do Comitê, para que nossos sites, nossas páginas, também sejam mais acessíveis”, diz.

Dilton Maynard, pró-reitor de graduação, por sua vez, avaliou as consequências da pandemia na UFS, sobretudo para os discentes com deficiência. “O ensino remoto cansou porque foi emergencial, não funcionou para todos porque foi pensado em questão de meses. O que nós fizemos foi reduzir danos”, pontua.

Para ele, a experiência com a pandemia mostrou, definitivamente, que é preciso pensar as políticas de inclusão como questão central. “O trato, o respeito com a pessoa com a deficiência não pode ser concebido como redução de danos, tem que ser trabalhado como direito e como obrigação da universidade. Acredito que vamos conseguir diminuir algumas dessas distâncias que temos dentro da nossa instituição”, projeta Dilton.


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Presenças

O Encontro teve a participação de personagens de fora da UFS que também atuam no tema da inclusão. Anderson de Araujo Reis, que dirige o Centro de Referência em Educação Especial de Sergipe, representou a Secretaria de Educação do estado. Lucas Aribé, ex-vereador de Aracaju, é cego e milita pelas pautas que envolvem acessibilidade. E citou o aumento das limitações enfrentadas por estudantes com deficiência nas aulas remotas durante o período pandêmico. Para ele, a pandemia influenciou também na promoção do debate sobre limitações e acessibilidades. “A questão da acessibilidade nunca foi tão falada como agora, e a gente percebe uma série de iniciativas, em diversos aspectos, não só da educação, mas destaprincipalmente”, ponderou.

Debates

O Encontro teve ainda uma apresentação de dança realizada pelo grupo TALT, seguida por uma apresentação e avaliação das ações da DAIN. Depois, uma mesa-redonda abordou o tema “Estratégias pedagógicas acessíveis: acessibilidade compensatória, integrada e desenho universal”, com moderação da professora Bárbara Rosa. Apresentações dos Núcleos de Apoio Pedagógico deram sequência ao evento, que finalizou com uma Roda de Conversa com alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE).

Ascom
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Atualizado em: Sex, 20 de maio de 2022, 16:36
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