Seg, 26 de setembro de 2011, 14:01

Desenvolvimento de tecnologia sustentável para controle de erosão no Baixo São Francisco
Desenvolvimento de tecnologia sustentável para controle de erosão no Baixo São Francisco

Saber Ciência / Renisson Neponuceno de Araújo Filho


08/06/2010


A bacia hidrográfica do rio São Francisco é representada por uma área de drenagem de 639.212 Km², banhando 504 municípios de cinco estados brasileiros. A bacia possui topografia variada e rica, onde estão assentados mais de mil núcleos urbanos, que variam de pouco mais de 300 mil aos 2,5 milhões de habitantes, distribuídos em vilas, distritos e cidades, dispostos em paisagens de cerrado, caatinga e mata atlântica, de acordo com Paraguassú (“Os desafios de uma caminhada. Velho Chico: Patrimônio mundial”, 2002). Trata-se de uma das mais importantes bacias do país, tanto pela sua importância hídrica como pelo desenvolvimento gerado para a Região Nordeste.


As hidrelétricas construídas desde 1950, além da produção elétrica produziram também grandes impactos nocivos aos recursos água, solo e vegetação, que se refletem na dinâmica estuarina constatadas pelas alterações na geomorfologia e hidrosedimentologia, acarretando erosão das margens e assoreamento do leito, alterações na ictiofauna e na biodiversidade. As alterações na dinâmica do rio trazem conseqüências desastrosas que afetam diretamente as comunidades ribeirinhas. Dentre as problemáticas mais graves encontram-se a crescente diminuição do pescado, com índices insustentáveis para a subsistência da maioria da população e o avanço do processo erosivo nas margens devido à regularização da vazão do rio, com prejuízos até para os perímetros irrigados, devido à perda de terras.
A erosão fluvial é um dos principais problemas ambientais da área e se destacam pela sua visibilidade, amplitude, distribuição, associadas ao assoreamento do canal principal. As conseqüências desse processo para o ambiente natural correspondem ao aumento da turbidez dos corpos hídricos gerando acréscimo de sedimentos em suspensão na água, perda da área produtiva e assoreamento do rio devido à devastação das matas ciliares, sendo fator decisivo para a diminuição da biodiversidade na região.
Entendendo a relação do avançado processo erosivo com as demais problemáticas encontradas na região do Baixo São Francisco, percebe-se a importância de se buscar soluções eficazes para o controle da erosão marginal. A capacidade para a solução de problemas técnicos de estabilização de margens e encostas, combinado com a construção de obras de grande simplicidade, caracteriza o que é chamado de Bioengenharia segundo Durlo e Sutili (Bioengenharia: manejo biotécnico de cursos de água. Porto Alegre, RS: EST Edições, 2005).
A bioengenharia é representada pelo uso dos biotêxteis, que são malhas confeccionadas com fibras vegetais, com a finalidade de recobrir taludes em processo erosivo. Os biotêxteis podem contribuir com a contenção de nutrientes associados ao plantio de espécies arbustivas-arbóreas e matéria orgânica para o solo, além de ser biodegradável. O biotêxtil contribui para a viabilização do plantio de espécies arbustivo-arbóreas e matéria orgânica para o solo, além de ser biodegradável em concordância com os achados de Holanda, Rocha e Oliveira (“Estabilização de taludes marginais com técnicas de bioengenharia de solos no Baixo São Francisco”. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, 2008).
Os biotêxteis podem ser confeccionados a partir de diferentes fontes vegetais como o sisal, colmos de capim e o côco. A região do Baixo Curso do São Francisco é caracterizada por comunidades que desenvolvem práticas artesanais a partir da extração de fibras vegetais de espécies como o junco, a taboa e o sisal. O desenvolvimento de tecnologias capazes de garantir uma sustentabilidade do uso dos recursos naturais consiste em promover atividades de investigação de âmbito multidisciplinar que contribuam para o desenvolvimento sustentável da sociedade, requisitos que asseguram o avanço socioeconômico e a qualidade do ambiente.


Currículo
Engenheiro florestal


Atualizado em: Seg, 26 de setembro de 2011, 14:02
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