Um estudo produzido no Laboratório de Pesquisas Integrativa em Biodiversidade da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que mostra como o impacto das mudanças climáticas aumentam o risco de acidentes com serpentes peçonhentas, foi o vencedor do concurso global Climate and Health Science Communication Award. A divulgação do resultado foi feita neste mês de fevereiro.
O artigo "Climate change-related distributional range shifts of venomous snakes: a predictive modelling study of effects on public health and biodiversity" foi apresentado pela pesquisadora Irene Teixeira, egressa do Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação (PPEC) da UFS e licenciada em Ciências Biológicas também pela UFS, sob a orientação do professor do Departamento de Biologia e coordenador do Laboratório de Pesquisas Integrativas em Biodiversidade da UFS, Pablo Ariel Martinez.

“Foi uma vitória do meu laboratório e da Ciência brasileira. Com essa onda de fake news e todas as tentativas de desacreditar a Ciência, a gente vê como é importante saber comunicar para a população, para que ela possa se importar com as mudanças climáticas, com desequilíbrios ambientais, com problemas de saúde pública”, pontuou a pesquisadora.
A conquista, histórica para a UFS, também foi celebrada pelo pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da UFS, Lucindo Quintans. “É um marco para nossa Universidade, para Sergipe, para o Brasil e até para as instituições de ensino e pesquisa da América Latina. Esse reconhecimento consolida a UFS como referência na formação de pesquisadores e na produção de conhecimento estratégico para desafios globais, aliados à agenda 2030”, disse.
Em março de 2024, o artigo havia sido publicado pela revista The Lancet Planet Health, uma das mais importantes do mundo científico. A pesquisa também contou com a colaboração de outros quatro estudantes de graduação e pós-graduação da UFS e com pesquisadores da Espanha, Alemanha e Costa Rica.
Desequilíbrio ambiental impacta na saúde e economia
A pesquisa alerta que a perda do habitat natural de serpentes peçonhentas deve sofrer alterações drásticas até o ano de 2070 por causa das mudanças climáticas. Como a maioria dos soros antiofídicos para tratar a intoxicação é feita a partir do veneno da própria serpente, o desaparecimento ou a introdução de novas espécies em uma determinada região também representa um risco à saúde pública. Foi projetado que a maioria das espécies de serpentes se perderá na região da Amazônia na América do Sul e no sul da África. Já as regiões do leste dos EUA, norte da Europa e sudeste da Ásia ganharão novas espécies.
“Vimos que há espécies que podem cruzar barreiras e causar acidentes em países que não têm o soros antiofídicos, que muitas vezes são específicos de serpentes para serpentes”, explicou o professor Pablo Ariel Martinez.

Além disso, o estudo detectou que populações rurais e de baixa renda estarão mais vulneráveis ao ofidismo, que é o quadro clínico decorrente da picada de serpentes.
“Anualmente, dezenas de milhares de pessoas morrem em decorrência de acidentes com serpentes e quase 400 mil pessoas ficam com morbidades permanentes por causa de acidentes com serpentes. Muitas das principais vítimas são trabalhadores rurais, fazendeiros de baixa renda”, explicou a egressa Irene Teixeira.
+ Clique aqui para ver a apresentação
Jéssica França - Ascom UFS
