
Um projeto desenvolvido a partir de uma tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe (PPGED/UFS) conquistou o primeiro lugar na etapa estadual do Prêmio Educador Transformador, na categoria Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas. A proposta, intitulada 'Trilhas Digitais Abertas de Neoaprendizagem', representará Sergipe na fase nacional da premiação.
A iniciativa é de autoria da professora Nadielli Galvão, do Departamento de Ciências Contábeis do campus de Itabaiana, e foi desenvolvida durante sua pesquisa de doutorado, sob orientação do professor Henrique Schneider, do Departamento de Computação (DCOMP/UFS).
De acordo com Nadielli, a proposta surgiu a partir de uma lacuna percebida durante seus estudos: a necessidade de oferecer suporte prático para docentes interessados em adotar metodologias ativas no ensino superior. “Muito se fala sobre aplicar metodologias ativas, como a sala de aula invertida, mas pouco se orienta sobre como fazer isso na prática. Pensei em oferecer uma estratégia organizada, que auxilie o professor desde o planejamento até a avaliação”, explica.
As 'Trilhas Digitais Abertas de Neoaprendizagem' consistem em sequências didáticas estruturadas que integram conceitos de neoaprendizagem e design thinking. O modelo permite que docentes organizem conteúdos de forma lógica, promovendo experiências de aprendizagem mais significativas e alinhadas às demandas contemporâneas.
Para orientar a aplicação da metodologia, foi desenvolvido o framework conceitual NeoPath Thinking, que funciona como um guia para planejamento, execução, avaliação e compartilhamento das trilhas. A proposta também se destaca por ser um recurso educacional aberto, permitindo que outros professores utilizem, adaptem e reapliquem o material.
Segundo o professor Henrique Schneider, um dos principais diferenciais da iniciativa está justamente na possibilidade de colaboração e interdisciplinaridade. “As trilhas podem ser compartilhadas, modificadas e reutilizadas por outros docentes, o que amplia seu alcance. Além disso, são voltadas para a educação superior e favorecem experiências inovadoras baseadas em aprendizagem ativa”, destaca.
Ainda de acordo com o docente, a proposta apresenta potencial de inovação ao estimular práticas colaborativas e interdisciplinares. “A inovação disruptiva está na interdisciplinaridade e na aprendizagem colaborativa, que são pontos centrais para a transformação da educação tradicional. A inovação está no DNA do nosso Grupo de Estudos e Pesquisa em Informática na Educação (GEPIED), que possui como lema: 'Inovar a/via Educação'. Assim, as nossas pesquisas geralmente buscam trazer inovação para o processo de ensino-aprendizagem”, afirma.
Na prática, a metodologia já vem sendo aplicada em sala de aula, com resultados positivos. Nadielli relata maior engajamento dos estudantes e desenvolvimento de competências essenciais. “Percebo o fortalecimento do trabalho em grupo, da criatividade e do debate. Além disso, o modelo traz mais segurança ao docente, que passa a compreender melhor como estruturar atividades e avaliar o desenvolvimento dos alunos de forma mais ampla”, pontua.
Como premiação pela conquista na etapa estadual, a equipe participará da Bett Brasil, considerada o maior evento de educação e tecnologia da América Latina, onde terá a oportunidade de apresentar a proposta e trocar experiências com educadores de todo o país.
Ascom UFS
