O Comunica-SE, projeto de extensão da Universidade Federal de Sergipe (UFS), chega à sua 4ª edição promovendo debates junto a estudantes da rede pública estadual de ensino sobre diversos temas ligados à comunicação digital, tecnologia e sociedade.
A ideia é incentivar a educação midiática digital e estimular o pensamento crítico sobre os hábitos dos adolescentes no meio digital, através da promoção de momentos de troca entre estudantes do ensino médio e da graduação.
Os encontros, desenvolvidos por alunos do curso de Publicidade e Propaganda, do Departamento de Comunicação Social (DCOS), sob orientação da professora Tatiana Güenaga Aneas, ocorrerão em 11 escolas estaduais dos municípios de Aracaju, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro, entre os meses de maio e junho de 2026. No projeto, os discentes da disciplina Comunicação e Tecnologia são estimulados a colocar em prática os conceitos aprendidos em sala de aula, por meio da ação de extensão.
De acordo com a professora Tatiana Aneas, essa interação entre estudantes de diferentes níveis é muito positiva. “Como eles são de gerações muito próximas, acho que essa troca é muito interessante. Os estudantes da Rede [Estadual de Ensino], ao verem jovens como eles falando sobre essas temáticas, isso chega até eles de forma diferente”, já que os graduandos têm maior abertura com os alunos do ensino médio.
As atividades são desenvolvidas com linguagem acessível, exemplos do cotidiano e dinâmicas interativas com premiações, para estimular a participação do público-alvo. A cada edição são escolhidas temáticas contemporâneas relacionadas ao ambiente digital para serem abordadas com os alunos.
Este ano, os graduandos discutirão temas como a normalização dos jogos de apostas online (bets), cultura do cancelamento, algoritmos e desinformação. Também serão abordados assuntos como o impacto das redes na disseminação de discursos Red Pill e a proteção de influenciadores mirins frente ao ECA Digital.
Para os estudantes do terceiro período de Publicidade e Propaganda, Guilherme Melo e Gabrielle Defilippo, os temas são de grande relevância por abordarem o cotidiano dos adolescentes. Segundo Guilherme, o projeto parte da conscientização. “Estamos lidando com adolescentes, que estão no início da vida adulta, então é importante trazer temas sociais que ganharam força nos últimos anos”. Já Gabrielle destaca que “ao serem alertados sobre as problemáticas, eles conseguem se identificar e prestar atenção, o que pode ajudar a evitar problemas futuros”.
Eles, que apresentaram trabalho sobre as bets, comentam que a maior parte da turma afirmou já ter apostado em jogos deste tipo. Em geral, os adolescentes apostam “sem parecer ter consciência dos riscos envolvidos na prática. Isso é preocupante porque os jovens constituem um grupo vulnerável e mais suscetível a desenvolver dependência e transtornos mais graves”, conclui Gabrielle.
Extensão: aproximando universidade e sociedade
As ações de extensão possibilitam que os conhecimentos gerados e recebidos na universidade não fiquem restritos à comunidade acadêmica, o que fortalece a conexão com a sociedade em geral.
A professora Tatiana destaca a importância da iniciativa, em um cenário em que as tecnologias digitais estão cada vez mais presentes na vida das pessoas: “Acredito que a extensão universitária é fundamental não só pela necessidade de sair dos muros da universidade, de prestar um serviço para a comunidade, mas no que diz respeito especificamente à cidadania digital, que é uma demanda urgente”, pontua.
Para os discentes envolvidos, a experiência é enriquecedora. “É muito interessante. A gente alcança jovens que podem não ter conhecimento real sobre determinados temas, e isso ajuda na nossa formação acadêmica e pessoal, além de tudo”, comenta Anny Gabrielly Conceição. Ela defende que o termo “comunicação social” no nome do Departamento não deve ser apenas decorativo. “[Nosso trabalho] vai muito além de produzir vídeos e campanhas. Também temos o papel de comunicar à sociedade caminhos que favoreçam mudanças”, completa.
Guilherme compactua com o ponto de vista da colega: “Eu acho que a gente limita um pouco a nossa profissão a produzir apenas campanhas e fazer direção de arte. Às vezes, esquecemos que somos também comunicadores e temos um dever com a sociedade de comunicar e repassar o conhecimento científico que a gente produz”.
Com projetos como o Comunica-SE, a UFS contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e críticos em relação ao ambiente digital.
Ascom UFS
