Seg, 16 de setembro de 2013, 12:03

Palestra: “Deus é brasileiro?”
Palestra: “Deus é brasileiro?”

30/11


No dia 30 de setembro, a Adufs recebe o professor Manfred Nitsch, da Universidade Livre de Berlim, Alemanha, para apresentação do trabalho “Deus é brasileiro? Reflexões atuais sobre 50 anos de encontros com o Brasil – e com diversas doutrinas sociais religiosas”, de sua autoria. A palestra acontecerá a partir das 9h30, no auditório da associação.

O artigo do professor Manfred faz parte da seleção de textos que serão publicados na Revista Candeeiro, periódico anual da Adufs que trata de política e cultura no âmbito sindical. A data de lançamento da revista será divulgada em breve.


Confira a entrevista:


Adufs - O artigo do senhor apresenta um tom de relato de experiência, em primeira pessoa. Conte-nos como foi o processo de elaboração desse material?


Prof. Manfred - O processo de elaboração foi o seguinte: durante minhas viagens recentes ao Brasil, discuti várias vezes sobre a doutrina social da Igreja Católica no Brasil e na América Latina em geral, e muitas vezes me perguntaram como foram minhas experiências em outras esquinas do mundo, e como captar com conceitos gerais o assunto que cheguei a chamar "tabu". Então, preparei para uma discussão em nosso instituto, oLateinamerika-Institut da Freie Unversitaet Berlin, uma palestra e formulei minha contribuição como relato de experiência pessoal, porque não havia feito a pesquisa para um artigo estritamente acadêmico.


Adufs - Ao longo do texto, o senhor traça um paralelo entre religião, economia e política. Qual o motivo para a escolha dessa temática?


Prof. Manfred - O motivo de reunir economia, religião e política era a reflexão sobre o fenômeno encontrado muitas vezes nos meus estudos sobre banco, finanças, crédito e moeda na América Latina, de que o mercado não foi aceito como normalidade e "norma" e como padrão, como ordem a ser defendida, mas todo mundo sempre revindicava e reclamava subsídios e subvenções, seja para os grandes e importantes, seja para os pequenos e pobres. Formado num ambiente protestante luterano-calvinista, eu fui sempre um pouco surpreendido pela falta de bênção para a ordem econômica e tampouco para a ordem democrática por parte da Igreja Católica, - uma diferença marcante entre Europa / Atlântico do Norte e América Latina. Como professor de economia, tive que explicar a meus estudantes essas diferenças.



Adufs - Qual a impressão que o senhor tem sobre o Brasil diante do tema abordado no artigo?


Prof. Manfred - Sobre o Brasil, explico no resumo e nas perspectivas ao final que me parece que tanto a política desde FHC como o meio intelectual e as mídias, como a Folha de São Paulo, têm assumido um sistema de normas ("tabus") que refletem mais o céu das Nações Unidas, com os direitos humanos, a universalidade e a paz, que uma doutrina marcadamente religiosa e muito menos denominacional, e.g. católica. Outra característica do Brasil fica no abandono das classes médias por parte da Igreja Católica, que fica abençoando os ricos e os pobres, denunciando a "teologia de prosperidade", enquanto que os evangélicos e pentecostais propagam exatamente essa "teologia da prosperidade" com êxito, e às vezes exageram o vulgar-calvinismo bastante.


Adufs - No título do artigo, o senhor faz uma pergunta provocativa: "Deus é brasileiro? (...)". Os leitores terão a confirmação ou não dessa dúvida?


Prof. Manfred - Você não vai ter em sério a expectativa ou esperança de que eu possa responder a essa pergunta. Porém, explico no final que me parece que o Brasil incorpora tão fortemente as normas cosmopolitas das Nações Unidas que se poderia responder na afirmativa, quando se reinterpreta a palavra "Deus" como fonte dos mandamentos contemporâneos globais.


Adufs



Atualizado em: Qui, 19 de setembro de 2013, 08:46
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