
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) ganhou um reforço na prevenção a complicações da doença. Trata-se do software ‘Sistema salvando o pé diabético’ (Sisped), desenvolvido pela Universidade Federal de Sergipe. Criado em 2006, o Sisped usa inteligência artificial para prevenir o chamado pé diabético, cujas hospitalizações são geralmente prolongadas e recorrentes, gerando alto custo.
O acesso ao software poderá ser feito de forma gratuita no site da SBD pelos próximos cinco anos para uso dos associados e demais profissionais de outras entidades médicas, como de enfermagem e de fisioterapia.
As tratativas entre a universidade e a SBD para o licenciamento do software começaram em 2015 e foram intermediadas pela Coordenação de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFS (Cinttec).
O Sisped foi desenvolvido por Karla Freire Rezende e Leila Maciel de Almeida e Silva, professoras dos departamentos de Medicina e Computação, respectivamente.
Segundo matéria publicada no Jornal UFS em 2013, o software avalia o desenvolvimento do diabetes através de sinais clínicos primários, perguntas e exames mais específicos com o objetivo de prevenir a ulceração e, em casos mais graves, a amputação do pé do paciente.
Ele categoriza os pacientes em três estágios: normal, em risco ou pé ulcerado. Após o diagnóstico, se for o caso, o paciente é conduzido para outras etapas do tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, dois a cada três brasileiros com diabetes apresentam a taxa de glicemia descontrolada e são esses que, segundo a professora Karla Rezende, “devem ser avaliados frequentemente e com mais atenção”.
O Sisped combina o interrogatório do médico procurando detalhes que possam auxiliar no diagnóstico a exames físicos, estratificando o pé dos pacientes diabéticos, de forma a detectar aqueles em risco de desenvolver ulcerações nos pés, elaborando a sugestão inicial de conduta terapêutica adequada.
O software já foi licenciado para as secretarias Municipal e Estadual de Saúde desde o ano de sua criação.
O pé diabético
Os elevados níveis de glicemia no sangue prejudicam o sistema nervoso, que transmite sinais do cérebro para todo o corpo. Quando os nervos estão em disfunção (neuropatia), uma série de deficiências podem acontecer com o corpo, já que o cérebro não consegue enviar corretamente suas mensagens.
No caso dos diabéticos, os pés que não conseguem receber essas informações, fazendo com que cortes, batidas e ferimentos graves passem despercebidos e sem dor. Além disso, nos pés de pessoas com diabetes há um grande índice de má circulação de sangue, o que faz com que as úlceras se agravem.
Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês), o Brasil possui 13,4 milhões de portadores de diabetes entre 20 e 79 anos. Isso faz do país o quarto do mundo com maior prevalência da doença. Ainda segundo a IDF, no mundo são quase 400 milhões de pessoas acometidas pela patologia e metade delas não sabe desta condição. Os dados são de 2012.
De acordo com o Ministério da Saúde, de 40% a 60% de todas as amputações não traumáticas feitas em membros inferiores (MMII) no Brasil são decorrentes de pés diabéticos e 85% destas amputações são precedidas de úlceras.
A Cinttec
A Coordenação de Inovação e Transferência de Tecnologia (Cinttec) é a unidade da UFS responsável por salvaguardar os direitos da Propriedade Industrial (PI) resultantes da produção intelectual da instituição. Tem como uma de suas finalidades dar suporte aos pesquisadores da instituição no processo de patenteamento de inventos, produtos e processos gerados nas atividades de pesquisa e que possam ser transformados em benefício para a sociedade.
A coordenação faz a mediação entre as instituições e o conhecimento gerado na UFS passível de utilização, direta ou indiretamente, no processo produtivo, na gestão pública e em áreas afins.
Até o final de 2015 a UFS apresentava-se como titular de 101 patentes, 15 marcas, 74 softwares, 1 desenho industrial e 1 cultivar, totalizando 192 produtos/processos protegidos, o que resulta no posicionamento da instituição como a 3ª universidade pública do Nordeste, no quesito inovação, do Ranking Universitário Folha 2015, do jornal Folha de São Paulo.
Ascom
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