Formamos uma comunidade de alunos da UFS. Nos identificamos por nossos valores. Nos reunimos para ler, estudar, comentar sobre o nosso mundo sócio-cultural e para nos divertir, bem assim, como os professores, temos os nossos pares com os quais compartilhamos o nosso modo de vida. Não há, portanto, abismo entre o modus vivendi do professor e do aluno, há apenas uma diferença, os professores convivem entre eles, pesquisam, aperfeiçoam o que estudaram para melhor nos ensinar, divertem-se, como o faz a grande maioria dos alunos, que estuda, trabalha e se esforça para honrar os seus compromissos.
É lamentável não termos centros acadêmicos que desenvolvam atividades sócio-culturais para o nosso deleite. Sentimos, e até entendemos, a ausência de muitos dos professores nas atividades extra-acadêmicas, aí sim, há um abismo. Se superado, talvez melhorasse o humanismo e certos diagnósticos não seriam tão generalizados, como esses: “Os professores percebem a essencial falta de interesse dos alunos, percebem que...” os alunos... “em geral não visam nada, senão a nota e o diploma”.Visam algo, então? “Os alunos não lêem os textos...”. Todos os alunos?... “e, se os lêem...” Se houver algum por acaso?
Percebe-se que os jovens tendem a perder o encanto que outrora existia pela escola, pois, esta, está caminhando para os números e não com os humanos. A competitividade exacerbada está contagiando professores e alunos. O querer ter poder, a qualquer preço, corrompe o homem e este cada vez mais esquece que é parte da humanidade e que esta o identifica, senão faria parte de uma alcatéia, de um rebanho de antas, raposas, por exemplo, e, seria assim especificado.
E daí surgiu, na nossa universidade, o que poderá ser entendido como uma reação a todo um processo que está se infiltrando no meio acadêmico e contribuindo para que nos tornemos rebanho em um comício, e não alunos politizados.
Enquanto o desrespeito for apenas tema de artigos, de queixas e figurar na mídia como causa da violência, que fragiliza o homem e o domina, ou seja, se nós não começarmos a entender que somos nós os responsáveis, e lutar para combatê-lo, principalmente, aquele que expõe a criança, o idoso, a mulher, a danos físicos e morais, e para o qual fechamos os olhos, nada pode ser feito.
Há de se perguntar também se essa é a realidade, ou seja, se (todos) os alunos, não leem, e se leem não entendem, e que não foram estimulados desde a infância para a leitura. Então, será que esta é a causa da falta de respeito aos professores, que antes era merecido “a despeito das falhas e dos erros que estes, como quaisquer seres humanos, viessem a apresentar e cometer”? Será que foi por visarem só nota e diploma que alguns alunos agrediram, verbalmente, uma professora quando esta lhes deu uma nota indevida?
Muitos pais deram a esses jovens, na medida do possível, condições para uma boa educação e livros para despertar o gosto pela leitura. Essa queixa dos professores de que “os alunos não lêem os textos propostos, e se os lêem manifestam-se em geral incapazes de compreendê-los” seria aceitável, se feita assim: que muitos não os leem e, que alguns que leem, teem dificuldade de compreendê-los, assim como a de entender algumas explicações e que, por estas razões se desestimulam. Fazemos parte de uma maioria que lê e compreende, com algumas ressalvas, a maioria dos textos apresentados. Com ressalvas, porque trabalhamos, o nosso curso é noturno, não vivemos exclusivamente para estudar, por virmos do ensino médio sem conhecimento filosófico algum, e, por serem textos de livros estudados há séculos, e nem por isso, em todo esse tempo, exauriram-se os questionamentos propostos.
Talvez, alunos e professores, não tolerem mais os seus erros devido ao processo de autodestruição do ser humano que lentamente acaba com o respeito recíproco. E, apontamos o dedo, então, para quem? Para a sociedade. A sociedade somos nós. Para os poderosos. Nós os elegemos. Tentar nos eximir da culpa, generalizar e associar a negligência de alunos com os fatos citados, não adianta. Se há a violência manifesta, é nosso dever, combate-la.
Estilete e pichação, como recurso para denunciar uma situação, pode, também, demonstrar a incapacidade ou a falta de paciência destes alunos, talvez desencorajados, para argumentarem em prol dos seus direitos. No entanto, não há justificativa para tal proceder, vai de encontro às regras que nós, os humanos, determinamos para um bom convívio. (Este aluno não cursa Filosofia).
E sobre o desrespeito generalizado, aos professores, esta representante, que é idosa, com idade superior a de todos os professores do DFL, e que foi educada com, e para o respeito, diz que: deveras inconcebível é não lembrarem que este é um direito legal, concedido a todos, principalmente às crianças e idosos. Fatos citados fora de contexto nos levam a julgar que estamos em um mundo sem conserto, e daí vem o alarme: os alunos não lêem, não estudam, reclamam das notas com violência, com desumanidade. Vamos parar um pouco para investigar, para refletir, e, se for o caso, desenvolver uma ação preventiva.
“Antes, se tínhamos o brutal na sociedade, tínhamos também a sua contrapartida, o sublime na arte e na poesia, que era apreciado por parcela expressiva da população, tínhamos as relações de amizade, o respeito e o decoro nos colégios e universidades, entre outras coisas.” Convém lembrar que, neste antes, se vivia em uma ditadura, e, nesta, a violência foi medonha. No tempo do rei AI-5, imperou o desrespeito e a violência, da forma mais atroz, e, ai daquele que denunciasse. Hoje, até abusamos da liberdade conquistada, temos uma mídia poderosa, que nos dá a possibilidade de saber tudo em tempo real, temos a liberdade de expressão, mas, também, corremos o risco de fazer julgamentos precipitados e daí, às vezes, até caluniar, destruir sonhos e provocar a violência.
Desumanos ou humanismos “demasiado humanos” são extremos e se perde a medida. Ser humano já nos basta, se o levarmos à humanidade.
Currículo
Estudante de Filosofia.