Seg, 26 de setembro de 2011, 14:55

Museus e sociedade:humanizando o conhecimento
Museus e sociedade:humanizando o conhecimento

Saber Ciência / Janaina Cardoso de Mello


08/06/2010


O que é a museologia? Simplificando: é uma ciência social aplicada que estuda os museus em sua criação, gestão e exposição. De acordo com a definição da Associação de Museus do Reino Unido: “Museus possibilitam às pessoas explorar coleções para sua inspiração, aprendizado e fruição. São instituições que coletam, salvaguardam e tornam acessíveis artefatos e espécimes, que preservam em nome da sociedade”.


No século XIX foram criados sete museus no Brasil por iniciativa do governo Imperial, impulsionados pelo desejo da construção da nacionalidade. Hoje, século XXI, os indicativos da realidade museológica pesquisados pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan) revelam a presença de 2.705 museus, comportando ainda 142.009.752 bens culturais em todo o país. A distribuição das instituições museais por regiões brasileiras está assim discriminada: Sudeste 1.062, Sul 739, Nordeste 564, Centro-Oeste 199 e Norte 121, sendo que em 5.564 municípios, apenas 1.043 possuem museus (18,75%) inspirando os órgãos governamentais a desenvolverem projetos e editais para a ampliação desse quadro.
Em 2003 com o lançamento da Política Nacional de Museus, a criação da Coordenação Geral de Museus no Ministério da Cultura e a criação do Departamento de Museus e Centros Culturais, vinculados ao Iphan, estimulou-se o surgimento e manutenção de uma grande diversidade de museus brasileiros (históricos, etnográficos, da ciência e da tecnologia, de artes,etc.), bem como a interação dessas instituições com as comunidades locais através de exposições e de atividades de educação patrimonial.
Mas foi em 18/12/2008 (dia do Museólogo) que houve a aprovação do projeto de lei que criou o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), sancionado em 20/01/2009. Ainda no dia do museólogo também foi aprovado o Estatuto de Museus, sancionado pelo Senado Federal em 14/01/2009 pela lei de nº 11.904.
Reconheceu-se a importância dos museus, da museologia e principalmente do museólgo, uma vez que segundo Hugues Varine: “o museu é um espelho onde a comunidade se olha para se reconhecer”. Para além dos antigos “gabinetes de curiosidade” e/ou “lugar de um passado morto”, os museus da contemporaneidade têm sido inspirados pelo espírito do humanismo enquanto um espaço de convivência pacífica entre os povos. A consciência ecológica tem adentrado suas portas fazendo de mangues e florestas um patrimônio ambiental valorizado, ensinado e exposto em instituições museais. A cultura e a identidade dos povos das rendas de bilro às pinacotecas de personagens e paisagens, revelam-se em museus preocupados com as minorias sociais, étnicas e lingüísticas.
Dentro dessa perspectiva, os museus devem ser espaços de interdisciplinaridade onde devem circular museólogos, historiadores, antropólogos, arqueólogos, biólogos, geógrafos, pedagogos, lingüistas e demais profissionais atuando na construção de uma linguagem plural e enriquecida por uma variada bagagem de experiências culturais para dinamizar a produção de conhecimento, a administração da memória, a democratização do saber, além da preservação da cultura material e imaterial.
Por isso, em Sergipe não se deve perder a oportunidade de visitar o Museu do Homem Sergipano em Aracaju, o Museu Arqueológico do Xingó, os Museus de Arte-sacra (e também de Ex-votos) de São Cristóvão e de Laranjeiras, o Museu Afro-Brasileiro de Laranjeiras, o Museu Galdino Bicho no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, uma vez que essas instituições constituem um patrimônio de todos, sendo lugares para homens e mulheres descobrirem novas visões a respeito do mundo em que vivem.


Currículo
Doutora em História Social (UFRJ), profa. Adjunta do Núcleo de Museologia da UFS, coordenadora do GEMPS/CNPq.


Atualizado em: Seg, 26 de setembro de 2011, 14:56
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