Saber Ciência / Janaina Cardoso de Mello
08/06/2010
O que é a museologia? Simplificando: é uma ciência social aplicada que estuda os museus em sua criação, gestão e exposição. De acordo com a definição da Associação de Museus do Reino Unido: “Museus possibilitam às pessoas explorar coleções para sua inspiração, aprendizado e fruição. São instituições que coletam, salvaguardam e tornam acessíveis artefatos e espécimes, que preservam em nome da sociedade”.
Em 2003 com o lançamento da Política Nacional de Museus, a criação da Coordenação Geral de Museus no Ministério da Cultura e a criação do Departamento de Museus e Centros Culturais, vinculados ao Iphan, estimulou-se o surgimento e manutenção de uma grande diversidade de museus brasileiros (históricos, etnográficos, da ciência e da tecnologia, de artes,etc.), bem como a interação dessas instituições com as comunidades locais através de exposições e de atividades de educação patrimonial.
Mas foi em 18/12/2008 (dia do Museólogo) que houve a aprovação do projeto de lei que criou o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), sancionado em 20/01/2009. Ainda no dia do museólogo também foi aprovado o Estatuto de Museus, sancionado pelo Senado Federal em 14/01/2009 pela lei de nº 11.904.
Reconheceu-se a importância dos museus, da museologia e principalmente do museólgo, uma vez que segundo Hugues Varine: “o museu é um espelho onde a comunidade se olha para se reconhecer”. Para além dos antigos “gabinetes de curiosidade” e/ou “lugar de um passado morto”, os museus da contemporaneidade têm sido inspirados pelo espírito do humanismo enquanto um espaço de convivência pacífica entre os povos. A consciência ecológica tem adentrado suas portas fazendo de mangues e florestas um patrimônio ambiental valorizado, ensinado e exposto em instituições museais. A cultura e a identidade dos povos das rendas de bilro às pinacotecas de personagens e paisagens, revelam-se em museus preocupados com as minorias sociais, étnicas e lingüísticas.
Dentro dessa perspectiva, os museus devem ser espaços de interdisciplinaridade onde devem circular museólogos, historiadores, antropólogos, arqueólogos, biólogos, geógrafos, pedagogos, lingüistas e demais profissionais atuando na construção de uma linguagem plural e enriquecida por uma variada bagagem de experiências culturais para dinamizar a produção de conhecimento, a administração da memória, a democratização do saber, além da preservação da cultura material e imaterial.
Por isso, em Sergipe não se deve perder a oportunidade de visitar o Museu do Homem Sergipano em Aracaju, o Museu Arqueológico do Xingó, os Museus de Arte-sacra (e também de Ex-votos) de São Cristóvão e de Laranjeiras, o Museu Afro-Brasileiro de Laranjeiras, o Museu Galdino Bicho no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, uma vez que essas instituições constituem um patrimônio de todos, sendo lugares para homens e mulheres descobrirem novas visões a respeito do mundo em que vivem.
Doutora em História Social (UFRJ), profa. Adjunta do Núcleo de Museologia da UFS, coordenadora do GEMPS/CNPq.
