Saber Ciência / Daniela Lisboa Lapa
08/06/2010
É amplamente aceita a idéia de que a principal característica do celular é a mobilidade. De igual forma, é incomum pensar a relação entre celular e cinema, visto que até pouco tempo atrás as câmeras dos celulares tinham uma qualidade ruim e existe expressa solicitação de que o aparelho seja desligado logo que se adentre a sala de cinema. Hoje, entretanto, o celular, além de realizar ligações, desempenha inúmeras outras funções e esta realidade está sendo aos poucos modificada.
É importante destacar que antes de ser esse instrumento de interação, o celular foi objeto de destaque em várias produções cinematográficas. Muitos são os filmes onde o aparelho transforma-se em fio condutor da narrativa. Entretanto, talvez a principal relação entre cinema e celulares não seja nenhuma das citadas anteriormente, mas a produção de conteúdo cinematográfico para o celular, além da adaptação de conteúdos já existentes e o uso de aparelhos como instrumento para captação de sons e imagens, ou seja, produção de filmes. Acerca disto, Sousa e Filho (Liguem seus celulares no cinema: Panorama, possibilidades e perspectivas, 2009) afirmam que “a image m nos celulares precisa ser realmente traduzida para e por uma nova linguagem”.
Com isso, tornar-se perceptível que estamos diante de possibilidades novas e pouco exploradas. A produção de conteúdo através do celular é realizada por várias pessoas de modo caseiro e em escala crescente. O aparelho, cada vez mais moderno, se presta ao papel de registro da realidade, como o gênero documentário do cinema ou o jornalístico da televisão. Na atualidade, são vários os programas de televisão e jornalísticos que fazem uso de imagens cedidas por seus telespectadores para o entretenimento ou o registro de fatos. Porém, a internet é o principal veículo de exibição destas produções e também exibe histórias de ficção e animações filmadas por amad ores com o celular. Proliferam-se os festivais que prestigiam e concedem prêmios aos chamados “vídeos de bolso”, ou seja, à produção cinematográfica feita com aparelhos celulares.
A produção para exibição no celular, entretanto, é ago muito incipiente. Alguns canais brasileiros investem, ainda de modo tímido, nessa área. Por outro lado, empresas na área de telefonia estão realizando contratos com produtoras para a compra dos direitos de distribuição de obras cinematográficas nos celulares. Trata-se da iminência de uma nova linguagem. A possibilidade de todos produzindo informações e compartilhando com todos através de ferramentas simples como o celular é uma perspectiva real para um futuro não muito distante.
Estudante de Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV, 7º período. Artigo escrito como exigência parcial para a disciplina “Tópicos Especiais em Cinema”, ministrada em 2009.2 pela Profa. Dra. Lilian França.
