Seg, 26 de setembro de 2011, 15:07

Relações entre cinema e celulares
Relações entre cinema e celulares

Saber Ciência / Daniela Lisboa Lapa


08/06/2010


É amplamente aceita a idéia de que a principal característica do celular é a mobilidade. De igual forma, é incomum pensar a relação entre celular e cinema, visto que até pouco tempo atrás as câmeras dos celulares tinham uma qualidade ruim e existe expressa solicitação de que o aparelho seja desligado logo que se adentre a sala de cinema. Hoje, entretanto, o celular, além de realizar ligações, desempenha inúmeras outras funções e esta realidade está sendo aos poucos modificada.


Um exemplo exitoso do uso do celular dentro das salas de cinema é trazido por Constantino (disponível em http://arquiteturadeinformacao.com) quando expõe uma campanha pub licitária, lançada em 2006 de um novo modelo de carros. A campanha solicitava que os espectadores enviassem, pelos celulares (via SMS), a resposta de algumas questões que apareciam na tela. Ao final todos assistiam a um filme montado a partir da maioria das respostas dos espectadores presentes na sala. A produção preparou uma história combinatória de 04 cenas, com 02 possibilidades de roteiro para cada uma, totalizando 16 filmes diferentes que eram exibidos de acordo com as escolhas das questões realizadas pelos espectadores, para cada questão uma cena era escolhida até a montagem completa do filme. A experiência quebrou o paradigma de desligar os celulares na sala do cinema e abriu espaço para um novo tipo de interação, o celular como instrumento de pesquisa, cujo resultado é a escolha coletiva de determinado filme.
É importante destacar que antes de ser esse instrumento de interação, o celular foi objeto de destaque em várias produções cinematográficas. Muitos são os filmes onde o aparelho transforma-se em fio condutor da narrativa. Entretanto, talvez a principal relação entre cinema e celulares não seja nenhuma das citadas anteriormente, mas a produção de conteúdo cinematográfico para o celular, além da adaptação de conteúdos já existentes e o uso de aparelhos como instrumento para captação de sons e imagens, ou seja, produção de filmes. Acerca disto, Sousa e Filho (Liguem seus celulares no cinema: Panorama, possibilidades e perspectivas, 2009) afirmam que “a image m nos celulares precisa ser realmente traduzida para e por uma nova linguagem”.
Com isso, tornar-se perceptível que estamos diante de possibilidades novas e pouco exploradas. A produção de conteúdo através do celular é realizada por várias pessoas de modo caseiro e em escala crescente. O aparelho, cada vez mais moderno, se presta ao papel de registro da realidade, como o gênero documentário do cinema ou o jornalístico da televisão. Na atualidade, são vários os programas de televisão e jornalísticos que fazem uso de imagens cedidas por seus telespectadores para o entretenimento ou o registro de fatos. Porém, a internet é o principal veículo de exibição destas produções e também exibe histórias de ficção e animações filmadas por amad ores com o celular. Proliferam-se os festivais que prestigiam e concedem prêmios aos chamados “vídeos de bolso”, ou seja, à produção cinematográfica feita com aparelhos celulares.
A produção para exibição no celular, entretanto, é ago muito incipiente. Alguns canais brasileiros investem, ainda de modo tímido, nessa área. Por outro lado, empresas na área de telefonia estão realizando contratos com produtoras para a compra dos direitos de distribuição de obras cinematográficas nos celulares. Trata-se da iminência de uma nova linguagem. A possibilidade de todos produzindo informações e compartilhando com todos através de ferramentas simples como o celular é uma perspectiva real para um futuro não muito distante.


Currículo
Estudante de Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV, 7º período. Artigo escrito como exigência parcial para a disciplina “Tópicos Especiais em Cinema”, ministrada em 2009.2 pela Profa. Dra. Lilian França.


Atualizado em: Seg, 26 de setembro de 2011, 15:09
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