Ter, 27 de setembro de 2011, 12:25

O Programa Gestar II e suas tecnologias na formação de professores de português
O Programa Gestar II e suas tecnologias na formação de professores de português

Saber Ciência / Gláucia Rejane da Costa


09/06/2010


O presente artigo parte do conceito de tecnologia educacional apresentado por Arnaldo Niskier, como “ todas as formas empregadas no processo ensino-aprendizagem com a finalidade de otimizar esse processo.” Nessa perspectiva, temos como objetivo verificar as tecnologias utilizadas pelo programa de formação de professores de português da rede pública, em serviço ─ o Gestar II (Gestão da Aprendizagem Escolar). Esse programa nos interessa especialmente pela metodologia e recursos utilizados na mediação da construção de saberes a que se propõe, saberes esses veiculados apenas por meio de material impresso. Sendo a sua duração de um ano, com apenas vinte encontros presenciais com quatro horas de duração nos quais o formador exerce a mediação desses saberes por meio de leitura e discussão sobre teorias relativas ao ensino de língua materna.


Tais teorias, abordadas à luz do dialogismo de Bakhtin e de uma concepção produtiva do ensino de língua materna são associadas às experiências desses professores na aplicação em sala de aula das atividades propostas. Desse modo os encontros se constituem um espaço de socialização de saberes e práticas fundamentadas numa perspectiva sociointeracionista do ensino-aprendizagem da língua materna. Entretanto, para a consolidação e ampliação desses novos saberes em construção, fazem-se necessárias atividades individuais à distância.
Nessa dinâmica de interação à distância do Gestar II são utilizados materiais didáticos, elaborados a partir das contribuições de Geraldi, Travaglia, Soares, Marcuschi e outros estudiosos como suporte para o estudo dos professores e fundamentação de uma nova prática de ensino, norteada pela concepção de ensino produtivo de português. Entre eles se encontram os Cadernos de Teoria e Prática, denominados TPs, os quais se constituem uma forma empregada no processo ensino-aprendizagem com a finalidade de otimizá-lo, configurando-se assim um recurso tecnológico educacional de grande importância para a realização do programa. Por esse motivo nos propomos a verificarmos a sua validade como instrumento otimizador do processo de formação dos professores envolvidos.
Os Cadernos de Teoria e Prática são três, cujas ementas são assim distribuídas: TP1- Linguagem e cultura, TP2 – Análise lingüística e análise literária e TP3- Gêneros e tipos textuais. Neles o texto é explorado como ferramenta de problematização e de elaboração de conceitos. Trata-se de um texto em forma de aula, objetivando levar o leitor a construir conhecimento. Enfim é um texto que ensina. São, portanto, cadernos de estudo, nos quais são abordados temas transversais propostos nos PCN, significativos para o professor e o aluno.
Da escolha do tema derivam a seleção de textos nos mais diversos gêneros discursivos, além de diversas produções artísticas e culturais, ampliando assim as possibilidades de leitura. Desse modo busca-se privilegiar o uso da língua como atividade social de sujeitos em atuação, num espaço cultural e histórico. Nesse espaço o texto é visto como concretização das situações de interação e produto das condições sócio-históricas, e a significação é o ponto relevante.
Um caderno de Teoria e Prática contém cerca de 170 páginas e se divide em três partes. Na parte I encontram-se as seções nas quais são utilizados vários recursos de aprendizagem para a construção do suporte teórico do cursista, por meio de leituras e exercícios, e para aplicação de atividades em sala de aula, considerando os conteúdos estudados e as posturas sugeridas diante das situações de aprendizagem.
Uma análise desse material do Gestar II revela a validade do texto como instrumento mediador da relação sujeito objeto. E como tal possibilita a construção do conhecimento e a interação entre aquele que enuncia, profere um saber legitimado por uma instituição, ensina (o Gestar II), e o seu interlocutor (o professor). Enfim, o texto escrito como elemento central no uso da tecnologia educacional.


Currículo
Mestranda em Letras da Universidade Federal de Sergipe.


Atualizado em: Ter, 27 de setembro de 2011, 12:25
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