Ter, 08 de junho de 2021, 11:19

Clube de leitura promove discussões sobre relações étnico-raciais, gênero e sexualidade no Colégio de Aplicação
Projeto busca introduzir uma literatura mais abrangente e diversificada
Leitura de Sulwe, de Lupita Nyong´o, turma do 6º ano de 2020 com a participação da professora de Língua Portuguesa Alessandra Machado. (fotos: arquivo pessoal)
Leitura de Sulwe, de Lupita Nyong´o, turma do 6º ano de 2020 com a participação da professora de Língua Portuguesa Alessandra Machado. (fotos: arquivo pessoal)

Com o objetivo de disseminar produções de negros, negras e outras mulheres, a psicóloga do Colégio de Aplicação (Codap) da UFS Helma Cardoso orienta o Clube de Leitura Marielle Franco, que dá espaço a discussões acerca das relações étnico-raciais, gênero e sexualidade.

O projeto atua desde 2019 e neste momento pandêmico ocorre de forma remota via Google Meet. Acontecem reuniões semanais com as turmas do colégio e também com o público em geral.

Observando os poucos trabalhos feitos por homens negros, mulheres negras e pessoas LGBTQI+ na educação básica, Helma percebeu a necessidade da circulação de obras que abordassem assuntos diversos no âmbito escolar.


A psicóloga do Codap Helma Cardoso orienta o Clube de Leitura Marielle Franco
A psicóloga do Codap Helma Cardoso orienta o Clube de Leitura Marielle Franco

“A escola também é um local onde se aprende um grande repertório de atitudes preconceituosas e esse é um dos motivos pelo qual precisamos problematizar as relações étnico-raciais, de gênero e sexualidade nesse ambiente”.

A iniciativa pretende desnaturalizar comportamentos preconceituosos que são adquiridos no cotidiano através da linguagem, com narrativas produzidas e reproduzidas culturalmente.

Segundo o projeto, essas atitudes, ao serem consideradas normais ou levadas na brincadeira, facilitam o crescimento do racismo, homofobia, machismo etc.

O clube de leitura, assim, além de agregar conhecimentos, traz a oportunidade de incrementar a representatividade desses grupos na grade escolar, é o que Helma sente ao levar uma literatura mais diversa. “Não faz sentido continuar mostrando a história e personagens somente de uma parcela da sociedade”, diz.

Além da leitura de livros, os encontros contemplam discussões com tirinhas, vídeos e sobre política.


Leitura de Sulwe, de Lupita Nyong´o, turma do 7º ano de 2020 com a participação da professora de Língua Portuguesa Marlucy Gama
Leitura de Sulwe, de Lupita Nyong´o, turma do 7º ano de 2020 com a participação da professora de Língua Portuguesa Marlucy Gama

O projeto, inclusive, carrega o nome da vereadora eleita em 2017 pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 2018. Em sua carreira política ela lutou pela população LGBTQI+ e pelas mulheres pretas e faveladas.

“É importante mostrar que o legado de Marielle ainda vive e que ela era uma grande mulher, e não vamos esquecer quem ela era e o que ela fez por nós”, afirma Rayssa Santana, aluno da 2ª série do ensino médio no Codap e participante do projeto.

Além dessas reuniões, o clube faz encontros com as turmas do colégio em conjunto com o professor(a). “Para cada turma é indicado um livro ou conto diferente, de acordo com a faixa etária”, explica Helma.

Como participar


Encontros abertos ao público em geral são divulgados pelo Instagram.
Encontros abertos ao público em geral são divulgados pelo Instagram.

Os encontros abertos ao público em geral são divulgados pelo Instagram @clubedeleituramariellefranco e o interessado pode pedir acesso ao link através desse perfil.

Érica Xavier (bolsista da Proex)

Luiz Amaro (edição)

comunica@academico.ufs.br


Atualizado em: Sex, 10 de dezembro de 2021, 17:55
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