
Com o objetivo de disseminar produções de negros, negras e outras mulheres, a psicóloga do Colégio de Aplicação (Codap) da UFS Helma Cardoso orienta o Clube de Leitura Marielle Franco, que dá espaço a discussões acerca das relações étnico-raciais, gênero e sexualidade.
O projeto atua desde 2019 e neste momento pandêmico ocorre de forma remota via Google Meet. Acontecem reuniões semanais com as turmas do colégio e também com o público em geral.
Observando os poucos trabalhos feitos por homens negros, mulheres negras e pessoas LGBTQI+ na educação básica, Helma percebeu a necessidade da circulação de obras que abordassem assuntos diversos no âmbito escolar.

“A escola também é um local onde se aprende um grande repertório de atitudes preconceituosas e esse é um dos motivos pelo qual precisamos problematizar as relações étnico-raciais, de gênero e sexualidade nesse ambiente”.
A iniciativa pretende desnaturalizar comportamentos preconceituosos que são adquiridos no cotidiano através da linguagem, com narrativas produzidas e reproduzidas culturalmente.
Segundo o projeto, essas atitudes, ao serem consideradas normais ou levadas na brincadeira, facilitam o crescimento do racismo, homofobia, machismo etc.
O clube de leitura, assim, além de agregar conhecimentos, traz a oportunidade de incrementar a representatividade desses grupos na grade escolar, é o que Helma sente ao levar uma literatura mais diversa. “Não faz sentido continuar mostrando a história e personagens somente de uma parcela da sociedade”, diz.
Além da leitura de livros, os encontros contemplam discussões com tirinhas, vídeos e sobre política.

O projeto, inclusive, carrega o nome da vereadora eleita em 2017 pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 2018. Em sua carreira política ela lutou pela população LGBTQI+ e pelas mulheres pretas e faveladas.
“É importante mostrar que o legado de Marielle ainda vive e que ela era uma grande mulher, e não vamos esquecer quem ela era e o que ela fez por nós”, afirma Rayssa Santana, aluno da 2ª série do ensino médio no Codap e participante do projeto.
Além dessas reuniões, o clube faz encontros com as turmas do colégio em conjunto com o professor(a). “Para cada turma é indicado um livro ou conto diferente, de acordo com a faixa etária”, explica Helma.
Como participar

Os encontros abertos ao público em geral são divulgados pelo Instagram @clubedeleituramariellefranco e o interessado pode pedir acesso ao link através desse perfil.
Érica Xavier (bolsista da Proex)
Luiz Amaro (edição)
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