
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) inaugurou, nesta sexta-feira, 13, no campus sede, em São Cristóvão, uma planta piloto de produção de cachaça de alambique. Desenvolvido pela professora Cristina Ferraz e por estudantes de Engenharia Química e Química Industrial, o projeto de extensão "Destilando Tradição" opera com os mesmos métodos de uma indústria, com tanques de menor volume, que variam entre 80 e 100 litros.
O projeto iniciou em 2023 durante a disciplina de Processos Biotecnológicos e teve como intuito trazer visibilidade à produção artesanal de cachaça no estado, além de levar conhecimento aos pequenos e novos produtores para melhoria da qualidade de seus produtos. O espaço também servirá para o desenvolvimento de pesquisas sobre novas bebidas fermento-destiladas, aulas práticas de engenharia e a oferta de cursos de capacitação.

“Essa é a primeira planta piloto de processamento da Universidade Federal de Sergipe e pode servir para o desenvolvimento de aulas práticas de várias disciplinas, tanto para quem trabalha com produção de bebidas fermento-destiladas quanto disciplinas do 'núcleo duro', como troca de calor, termodinâmica, etc”, explicou a professora Cristina Ferraz.
Os cursos oferecidos à comunidade externa explicam desde a moagem da cana-de-açúcar até a regulamentação do produto. “Outra frente que vamos trabalhar são cursos para grupos vulneráveis, como mulheres que trabalham para a agricultura familiar e queiram agregar valor à sua renda”, completou a professora.

Os equipamentos da planta piloto foram financiados pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec), com apoio da Destilaria Jardim de Laranjeiras e da empresa Lisboa Equipamentos.
“Sergipe, no passado, tinha a tradição da monocultura de cana-de-açúcar e nada melhor do que vir aqui para a UFS, através desse projeto, que vai trazer qualidade na fabricação das cachaças artesanais, gerando empregabilidade e renda para os produtores da agricultura familiar”, disse o presidente da Fapitec, Alex Garcez.

Uma das estudantes idealizadoras do Destilando Tradição é Raquel Costa, do curso de Química Industrial, explicou que a ideia do projeto surgiu após uma visita-técnica à Destilaria Jardim da Laranjeiras.
“O que a gente mais pensava era na planta-piloto, porque a mais próxima fica em Minas Gerais, então ter uma aqui facilitaria demais para os pequenos produtores”, explicou.

Para o gerente de produção da Destilaria, José Carlos Júnior, a parceria garantiu uma troca de conhecimentos teóricos e práticos, que auxiliou ambos os lados.
“Na Destilaria, a gente mostrava a produção na prática, e os alunos que faziam as visitas-técnicas sabiam a teoria e tiravam nossas dúvidas também. Eles coletaram amostras, levaram para os laboratórios da UFS e buscaram entender o comportamento das bebidas na parte de fermentação, produção, e depois nos passavam o que tinha acontecido, se havia contaminação, se a quantidade de leveduras era suficiente. Esses resultados nos ajudaram bastante. Essa parceria é muito importante. Agora os alunos podem vir na UFS e ver na prática como o processo acontece”, celebrou.

O reitor da UFS, André Maurício Conceição de Souza, celebrou a conquista como um avanço significativo para a pesquisa, a inovação e o fortalecimento da produção sergipana.
“É fundamental que a universidade tenha ações em todas as áreas e aspectos da produção, fazendo com que sejamos referência de qualidade e tornando a cachaça de Sergipe a melhor do Brasil”, disse.
Para saber mais informações sobre cursos e como utilizar a planta-piloto, entre em contato com o perfil do Destilando Tradições no @destilandotradicao.



Jéssica França - Ascom UFS
