
O Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) comemorou três décadas de trajetória com uma programação especial realizada no auditório da Reitoria. A celebração marcou o Jubileu de Pérola do programa e reuniu docentes, discentes, pesquisadores e gestores para discutir o histórico da pós-graduação, os avanços tecnológicos na área da saúde, os processos de internacionalização e o cenário atual da pesquisa científica no Brasil.
A programação da manhã contou com homenagens aos professores fundadores e aos docentes que ajudaram a consolidar o PPGCS como referência acadêmica. Também integrou a celebração uma Aula Magna em alusão aos 30 anos do programa. Já pela noite, ainda nesta segunda-feira (2), o evento se estende para um jantar festivo com discentes, docentes, egressos e servidores do PPGCS.

Criado em 1996, inicialmente como mestrado em Saúde da Criança, o curso passou por reformulações ao longo dos anos, ampliando sua área de atuação e consolidando o perfil interdisciplinar que mantém atualmente. Em 2026, o PPGCS além de alcançar nota sete na avaliação da CAPES, o nível máximo da pós-graduação brasileira, também é reconhecido pela formação de mestres e doutores que atuam diretamente na melhoria dos indicadores da saúde em Sergipe e no país.
O reitor da UFS, André Maurício Conceição de Souza, destacou a relevância institucional do programa e o impacto da pós-graduação na produção científica local. Segundo ele, o PPGCS demonstra que é possível desenvolver pesquisa de excelência com foco em demandas regionais. “O programa de pós graduação em Ciências da Saúde mostra que é possível fazer algo internacional, de qualidade, trabalhando com problemas locais. Temos que comemorar os 30 anos duplamente com a nota sete das ciências da saúde”, afirmou.
A comemoração também ganhou dimensão nacional com a presença do diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), professor Antonio Gomes de Souza Filho. Ao contextualizar o crescimento do sistema, ele explicou que houve uma ampliação significativa no número de cidades com cursos de mestrado e doutorado e destacou a importância da descentralização. “Em primeiro lugar, é muito importante para o país a capilarização e a disseminação de ambientes que formam mestres e doutores. Então são quase 5 mil programas espalhados por todo o Brasil, e o que é importante é que é uma expansão não só em quantidade, é uma expansão em qualidade”, disse, citando o Programa de Ciências da Saúde da UFS como exemplo de centro de excelência no Nordeste.

O atual coordenador do PPGCS, professor André Sales Barreto, detalhou a trajetória do programa desde a criação como mestrado em Saúde da Criança até a ampliação para um modelo mais interdisciplinar. Segundo ele, a mudança atendeu a recomendações da Capes e possibilitou a expansão do corpo docente e da capacidade de formação de novos pesquisadores. Ele destacou ainda reconhecimentos obtidos ao longo dos anos, como a presença de docentes em rankings científicos internacionais.
Além disso, o professor explicou que a comemoração não acontecerá apenas nesta segunda-feira (2), como se manterá durante o ano de 2026. “Nós pretendemos diversas ações durante o ano, ações que extrapolam a ciência, que focam também no compromisso social do programa, desde doação de alimentos, roupas, brinquedos, que vão ser distribuídos durante o ano para a gente fazer uma maior inserção social do programa, já que entendemos que o programa não tem apenas o compromisso científico”, finalizou.

A celebração reuniu especialmente pesquisadores. Doutoranda em Ciências da Saúde e graduada em Enfermagem pela UFS, Silvia Santana Rodrigues desenvolve um estudo com usuários de PrEP, método de prevenção ao HIV disponível gratuitamente no SUS, avaliando impactos na qualidade de vida e na função sexual.
Para ela, a pesquisa universitária dialoga com a sociedade. “Desenvolver a minha pesquisa na universidade é uma oportunidade da gente fazer ciência e a partir dela traduzir para a comunidade, que é quem precisa saber e se beneficiar do que a gente faz aqui na UFS”, pontuou.
Outra doutoranda, Thialla Andrade Carvalho, também egressa da UFS, pesquisa a prevalência e fatores associados ao comportamento suicida em adolescentes.
“Minha carreira é toda feita na UFS, e escolhi o Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde por ser um programa consolidado, um programa que traz oportunidades de internacionalização, de network com outras universidades, com outras instituições. Além disso eu entrei no doutorado para pesquisar, e o laboratório me permitiu isso. O que é muito importante para trazermos mais evidências relacionadas ao tema, que por muito tempo foi negligenciado, mas que tem aumentado absurdamente”, relatou.
Ela também destacou a importância da presença feminina na ciência e o apoio institucional recebido ao longo da formação. “Ser mulher e estar na pesquisa é revolucionário. Ser resiliente diariamente, porque infelizmente a sociedade e o mundo da pesquisa ainda é muito masculino”

Já Silvia Vitória, formada em Farmácia e mestranda na área de produtos naturais, desenvolve um projeto voltado ao tratamento de lesões em cães com leishmaniose. A pesquisa busca formular um produto à base de derivados naturais que auxilie na cicatrização de feridas crônicas associadas à doença.
Ela conta que o interesse pela pesquisa surgiu ainda na graduação, durante a iniciação científica, e que o caráter multidisciplinar do programa favorece a construção coletiva do conhecimento.
“Por eu ter contato com várias pessoas de várias formações diferentes, eu consegui desenvolver minha pesquisa, porque às vezes eu preciso de um teste que a gente não consegue fazer e outras pessoas conseguem, isso acaba facilitando. O programa acaba dando essa base para a gente, tanto no suporte, porque o suporte do programa é muito bom, quanto por professores, por parcerias que a gente consegue desenvolver ao longo do programa e até mesmo com nossos próprios colegas de classe”, disse.

Ascom UFS.
