
O Colégio de Aplicação (Codap) promoveu nesta quarta-feira (22) uma palestra seguida de roda de diálogo com representantes do povo indígena Kariri-Xocó. O encontro, realizado na Didática 7 do campus São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe (UFS), reuniu estudantes a partir do 6º ano do Ensino Fundamental, além de estagiários e bolsistas do PIBID, em uma proposta de imersão cultural que aproximou teoria e vivência.
A atividade integra o projeto “Pertencer: direitos, diversidade e escola” que faz parte do Programa de Monitoramento da Aprendizagem e Sucesso Escolar e busca ampliar a formação dos estudantes para além do conteúdo tradicional. A iniciativa também dialoga com o contexto do Dia dos Povos Indígenas, reforçando a importância de valorizar e conhecer os povos originários.

Durante o encontro, o cacique Kayrã, representante dos Kariri-Xocó, destacou a importância do contato direto entre estudantes e comunidades indígenas. Segundo ele, a troca de experiências permite desconstruir estereótipos e ampliar a compreensão sobre a realidade desses povos. “É importante mostrar um pouco do que é a gente porque eu tenho essa visão que nós somos uma família só, um povo só. Então, é tirar esse olhar que ainda existe do índio,de que não tem acesso à tecnologia, de que o índio não tem acesso ao estudo. Sim, hoje nós temos”, explicou.
Ele explicou que o contato presencial é essencial para que os estudantes compreendam que a realidade indígena vai além das representações presentes em livros e na mídia. “A cidade, também, é uma escola para nós. Nós aprendemos com vocês, como vocês aprendem conosco. É diferente. Você vê num livro, você vê na televisão uma história de um indígena e é diferente de ter contato conosco”, acrescentou.


A diretora do Codap, Marília Menezes, ressaltou que a ação faz parte de um conjunto de estratégias voltadas ao fortalecimento do pertencimento e da formação cidadã. De acordo com ela, o projeto busca promover o reconhecimento da diversidade cultural e estimular o respeito às diferenças, contribuindo para a construção de uma cultura de paz dentro e fora do ambiente escolar.
“A gente entende que o pertencimento à escola, a aprendizagem e o sucesso, o êxito na escolarização, ele envolve não apenas uma questão de notas, registro, mas a formação humana, o senso de pertencimento não só à instituição, Colégio de Aplicação, mas ao contexto da sociedade sergipana e brasileira. E aí, uma dessas frentes é apresentar a diversidade cultural. Essa percepção da diversidade é fundamental durante o processo de desenvolvimento, porque eles estão justamente construindo suas percepções, sua percepção do mundo, sua percepção de sujeito, seu lugar no mundo também. E a nossa intenção é que os nossos jovens se percebam em meio a toda essa diversidade, que possam se desenvolver respeitando as diferenças”, afirmou.
A percepção dos estudantes também evidenciou o impacto da atividade. Para muitos, o contato direto com os povos indígenas amplia o conhecimento para além das disciplinas tradicionais, permitindo compreender diferentes modos de vida e culturas.

A aluna Laura Beatriz contou que o contato permite aprender não só o conteúdo dentro de sala, mas também os costumes de outras pessoas e comunidades. “É importante porque a gente pode aprender muito sobre outras coisas, não só matéria, conteúdo, porque assim a gente pode ter noção de outras coisas. Eles podem mostrar um pouco do costume deles, da cultura”, disse.
Já Lara Sofia destacou que conhecer a realidade de outras pessoas ajuda a sair de uma visão limitada. Para ela, é importante entender diferentes modos de vida para não ficar “presa sempre só na nossa vida”.
A estudante Isabela Moura também avaliou a relevância da atividade para a compreensão da cultura indígena. Ela conta que ações como essa ajudam outros alunos a entenderem melhor a importância dos povos originários e ainda contribuem para a construção de repertório, inclusive para o Enem. “É relevante para as outras salas entenderem o significado e a importância de receber outros conhecimentos sobre os povos originários, sobre a cultura deles”, finalizou.

Os Kariri-Xocó vivem às margens do rio São Francisco, no município de Porto Real do Colégio, em Alagoas, e têm sua organização baseada em lideranças como o pajé e o cacique, escolhidos em rituais tradicionais. A presença do grupo no ambiente universitário reforça o papel da educação como espaço de diálogo, escuta e valorização das diferentes identidades culturais.
Ascom UFS
