Qua, 27 de maio de 2026, 15:23

UFS promove Ato do Banco Vermelho em conscientização à violência contra mulher
Iniciativa liderada por mulheres gestoras da universidade homenageia Danielle Bispo e reforça políticas de acolhimento e conscientização.
 (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

A Universidade Federal de Sergipe (UFS), promoveu, na manhã desta quarta-feira, 27, o Ato do Banco Vermelho, realizado no Hall do Restaurante Universitário (Resun) do Campus de São Cristóvão. A iniciativa, que integra a programação dos 58 anos da instituição, marca a instalação de um símbolo internacional no combate a violência contra a mulher e ao feminicídio.

A cor vermelha do banco representa o sangue derramado pelas vítimas de feminicídio e funciona como um alerta permanente para a gravidade da violência de gênero. Mais do que um elemento simbólico, o espaço pretende estimular reflexão, memória e conscientização dentro do ambiente universitário.


 (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

A escolha do Hall do Resun também carrega um significado de homenagem e denúncia. O local foi definido como um memorial de conscientização diante da violência que interrompeu a vida de Danielle Bispo dos Santos, funcionária terceirizada do Resun, que em 2013, foi assassinada por seu ex-companheiro enquanto trabalhava no restaurante.

O reitor da UFS, André Maurício, destacou a universidade como um agente de transformação social e promotora de consciência coletiva, e reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher deve ser uma responsabilidade coletiva.


 (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

“Precisamos criar espaços para que as mulheres possam, coletivamente e institucionalmente, ter uma perspectiva de defesa. Sozinha, muitas vezes, ela não tem força, mas, quando está no coletivo, quando percebe que existem instituições ao lado dela, ela se sente mais forte para se defender. O banco é muito mais do que uma cor ou um símbolo. Ele representa uma luta desta gestão e uma luta coletiva de todos. Quanto mais organizadas coletivamente elas estiverem, mais forte será o enfrentamento ao feminicídio dentro desta universidade e também em todo o país”.

Idealizado na Itália em 2016, a iniciativa surgiu após mulheres que perderam amigas vítimas de feminicídio decidirem transformar o luto em um ato de mobilização social e alerta contra a violência de gênero. Dentro das universidades federais do país, o movimento foi formado gestoras que, coletivamente, começaram a implementar ações como essa em suas instituições.

A idealizadora da ação na UFS, a vice-reitora, Silvana Bretas, ressaltou que a iniciativa busca reforçar a necessidade de combater a cultura machista, misógina e patriarcal que ainda vitima milhares de mulheres no país, além de fortalecer redes de acolhimento e proteção dentro da universidade.


 (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

“Na UFS, essa é uma ação construída coletivamente por mulheres que hoje ocupam cargos importantes na instituição, inclusive das diretoras eleitas por suas comunidades acadêmicas. Todas nós nos sentimos responsáveis por esse movimento e por essa luta, que é absolutamente justa. Foi uma escolha consciente realizarmos este ato aqui no Resun porque, infelizmente, há 13 anos, aconteceu nesse espaço um ato extremamente violento. Enquanto universidade e sociedade, precisamos preservar a memória de Danielle Bispo e transformar essa lembrança em conscientização, para que algo assim jamais volte a acontecer”.

Para a Pró-reitora de Equidade Racial e Ações Afirmativas, Gicélia Mendes da Silva, homenagear Danielle com o Banco Vermelho é transformar a memória em um símbolo permanente de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.


 (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

“Não é somente uma luta das mulheres, mas nós, mulheres, precisamos estar à frente dela. Começamos a pensar em onde instalar o Banco Vermelho aqui na UFS. E sinto que fomos guiadas nesse processo. Foi aqui, há 13 anos, que aconteceu, lamentavelmente, a morte de uma trabalhadora da nossa universidade. É uma homenagem a uma mulher que poderia estar sentada neste banco hoje, uma jovem assassinada de forma brutal, cruel e covarde. Este banco existe para que nunca esqueçamos que precisamos permanecer em defesa das mulheres e de todas as pessoas em situação de violência”.

Discente de arqueologia do campus Laranjeiras, e integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário, Bruna Santos, explica que o banco funciona como um instrumento pedagógico silencioso, ampliando discussões sobre violência doméstica, feminicídio e desigualdade de gênero de forma acessível e contínua, especialmente entre jovens universitários.


Na ação, Bruna homenageia Yasmin Costa, estudante de Filosofia da UFS que igualmente foi vítima de violência de gênero. (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Na ação, Bruna homenageia Yasmin Costa, estudante de Filosofia da UFS que igualmente foi vítima de violência de gênero. (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

“É extremamente importante a UFS ter esse tipo de iniciativa porque entendemos que, para combater de fato a violência contra a mulher, são necessárias ações concretas envolvendo toda a sociedade. Precisamos de um processo contínuo, sistemático e amplo de combate à violência contra a mulher, envolvendo diferentes setores. O banco, apesar de ser uma ação simbólica, também representa um passo importante para trabalharmos politicamente essa questão e mantermos o debate vivo dentro da universidade. Nós do Movimento de Mulheres, junto ao DCE, realizamos anualmente diversas campanhas de combate à violência aqui dentro da universidade. Então, essa auto-organização também é extremamente importante”.

Ascom UFS

Atualizado em: Qua, 27 de maio de 2026, 15:50
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