Qui, 16 de julho de 2026, 10:54

Companhia de Dança da UFS estreia nacionalmente e emociona público no Teatro Tobias Barreto
Apresentação artística reuniu três coreografias e foi ovacionada pelo público ao final do espetáculo
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

As luzes se apagaram e o silêncio tomou conta do Teatro Tobias Barreto. Na noite desta terça-feira (15), a Companhia Jovem de Dança da Universidade Federal de Sergipe (UFS) fez sua estreia nacional diante de um teatro lotado, levando ao palco três coreografias que foram trabalhadas durante um ano. Ao fim da apresentação, uma chuva cenográfica transformou o palco e arrancou aplausos de pé de um público que acompanhou, emocionado, os primeiros passos do grupo.

À frente da companhia, o diretor e coreógrafo Marcelo Moacyr explicou que a estreia representou a materialização de uma rotina intensa de ensaios, pesquisas e criação artística.

"Faz um ano que nós começamos a trabalhar e eu estou muito, muito satisfeito porque eles vêm alcançando um nível artístico muito bom. E isso faz com que a gente renove as vontades e energias para continuar o trabalho”, destacou.


No ato final, uma praia foi montada no palco (Foto: Joel Luíz)
No ato final, uma praia foi montada no palco (Foto: Joel Luíz)
Diretor Marcelo Moacyr (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Diretor Marcelo Moacyr (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

Para André Maurício, reitor da UFS, o momento representa um marco para a universidade e para a cultura sergipana.

"Dá aquele friozinho na barriga e, ao mesmo tempo, um orgulho maravilhoso de saber que temos aqui um espetáculo que vai ficar para a história do estado de Sergipe", afirmou. Segundo ele, a presença de críticos especializados na estreia também reforça o compromisso da universidade com a excelência artística. "A academia cresce também a partir da crítica respeitosa, que faz a gente evoluir."


Reitor André Maurício (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Reitor André Maurício (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
No primeiro ato do espetáculo foram retratadas questões socias (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
No primeiro ato do espetáculo foram retratadas questões socias (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

Nos bastidores, enquanto o público ocupava as poltronas do teatro, a ansiedade era compartilhada pelos bailarinos. Juliane Figueiredo definiu a noite como uma conquista. "Foi um ano de muito trabalho, cuidado e ensino. Hoje é a realização de tudo isso." Carolina Galvão descreveu a sensação como "um monte de borboletas no estômago", enquanto Giovanna Santos celebrou "é contagiante estar aqui e esse é um momento muito único para a dança". Marlisson Jesus resumiu a missão do grupo: entregar ao público tudo o que foi aprendido durante meses de aulas, ensaios e experimentações. Já Eloy Bastos, ainda tomado pela emoção antes de entrar em cena, projetava o futuro. "Quero muito conhecer outras cidades, outros lugares do Nordeste. Acho que uma turnê seria muito legal para a companhia."


(Foto: Joel Luiz)
(Foto: Joel Luiz)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
(Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
A segunda coreografia foi embalada por músicas de Chico Buarque (Foto: Joel Luiz)
A segunda coreografia foi embalada por músicas de Chico Buarque (Foto: Joel Luiz)

A qualidade artística do espetáculo também foi reconhecida por profissionais convidados para acompanhar a apresentação. Dramaturgo, diretor teatral e professor associado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Gil Vicente Tavares destacou a dedicação dos bailarinos.

"No meio de uma crise estética que a gente tem vivido no país e dentro das universidades, inclusive, do pensar a dança, do pensar a arte, eu acho louvável ver pessoas levando a dança a sério, preocupadas com a técnica, com a presença cênica e com a interpretação. E saio renovado com a esperança de que a universidade está indo por caminhos que me alegram muito”, ressaltou.


(Foto: Joel Luiz)
(Foto: Joel Luiz)
Professor Gil Vicente (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Professor Gil Vicente (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

Para Lia Robatto, renomada coreógrafa, dançarina e professora, a dança é a afirmação da identidade e da cultura de um povo e a companhia reforça isso já no primeiro espetáculo.

“Estou muito feliz em fazer parte do nascimento de mais uma companhia que vem para afirmar a nossa cultura, e ainda mais sob o guarda-chuva de uma instituição tão nobre quanto a Universidade Federal de Sergipe”, pontuou.

A avaliação foi compartilhada por Henrique Rochelle, crítico de dança e professor colaborador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Para ele, a apresentação revelou diferentes possibilidades da dança e deixou evidente o potencial da companhia desde seu nascimento. "A parte mais legal é sempre ver uma companhia nascendo. A gente sai daqui esperando pelos próximos trabalhos."


Coreógrafa Lia Robatto (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Coreógrafa Lia Robatto (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Os bailarinos se movimentam numa mesma sintonia (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Os bailarinos se movimentam numa mesma sintonia (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Crítico de dança, Henrique Rochelle (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
Crítico de dança, Henrique Rochelle (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

Entre o público, a emoção ganhou um significado pessoal. Tereza Cristina, que já integrou grupos de dança, contou que a arte foi fundamental em sua própria trajetória. "A dança é uma terapia para a alma. Foi através dela que consegui ultrapassar barreiras e me recuperar. Ela eleva os melhores horizontes e traz uma boa energia."

Ao retornarem ao palco para os agradecimentos finais, os bailarinos já não carregavam o nervosismo que marcou os minutos anteriores à apresentação. Em seu lugar estavam os abraços, os sorrisos e uma plateia que permaneceu de pé até o encerramento. Depois de um ano de preparação, a Companhia de Dança da UFS deu início à sua trajetória nacional com um espetáculo que uniu formação, criação artística e emoção, reafirmando o papel da universidade como espaço de produção cultural e de transformação por meio da arte.

Laura Malaquias - Ascom UFS

Atualizado em: Qui, 16 de julho de 2026, 15:20
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