
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) sediou, entre os dias 24 e 26 de setembro, o XII Encontro Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (ENEC), realizado em articulação com o 10º Encontro Sergipano de Educação Ambiental (ESEA). O evento reuniu educadores, pesquisadores, estudantes, movimentos sociais e comunidades tradicionais em torno do tema "Educação do Campo, Educação Ambiental e Movimentos Sociais: caminhos de luta e (re)existência nos territórios".
Com o objetivo de fortalecer as conexões entre práticas educativas, saberes populares e ações de resistência que emergem dos territórios, o encontro valorizou a troca entre educação, justiça socioambiental e defesa dos modos de vida. A programação incluiu mesas-redondas, apresentações de trabalhos, feiras e momentos culturais, com a participação de pesquisadores e estudantes de diversas partes do país.

Uma das coordenadoras do evento, Aline Nepomuceno, professora do Departamento de Ciências Biológicas do Campus São Cristóvão, vinculado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, destacou que o encontro reuniu cerca de 500 pessoas ao longo dos três dias, entre pesquisadores e representantes de movimentos sociais que atuam no campo e em seus territórios.
"Trazer esses movimentos para dentro da universidade e dialogar com quem trabalha com a educação do campo e a educação ambiental é extremamente importante para nós, pesquisadores da área. Esses diálogos foram muito proveitosos e, além disso, representam uma contribuição científica para os dois campos, já que foram aprovados quase 126 trabalhos para apresentação ao longo do evento", destaca.
Para Marilene Santos, professora do Departamento de Educação da UFS e coordenadora do Programa Escola da Terra na universidade desde 2017, quando a primeira edição chegou à UFS, o encontro dá visibilidade à educação do campo e à garantia do direito à educação das pessoas que vivem nesses territórios.
"O ENEC é um evento muito importante porque reúne os professores que atuam na base, os pesquisadores que desenvolvem suas pesquisas sobre educação, os docentes da universidade e os estudantes em formação na graduação. Aqui, temos 209 professores de 13 municípios sergipanos, que trabalham em escolas de assentamentos, comunidades quilombolas e povoados do estado. É um espaço fundamental para discutir a qualidade da educação que estamos garantindo à nossa população e para dialogar com os pesquisadores da universidade que desenvolvem pesquisas com o objetivo de melhorar cada vez mais a educação sergipana", afirma.

Entre os destaques da programação, as mesas-redondas levaram à comunidade acadêmica discussões sobre práticas de incentivo à educação ambiental e à educação do campo. Na tarde de sexta-feira (25), a mesa intitulada "Formação de professores para a Educação no Campo e para a Educação Ambiental" reuniu profissionais de diferentes pontos do país para debater a importância da regulação da formação acadêmica.
Vice-reitora da UFS e participante da mesa, a professora Silvana Bretas chamou atenção para a diferença entre o direito à educação e o direito à aprendizagem ao discutir as políticas de formação de professores. Para ela, reduzir um ao outro empobrece a compreensão do que a educação garante às pessoas, inclusive às que vivem no campo. "O direito à educação inclui o direito à aprendizagem, mas o direito à aprendizagem não inclui o direito à educação. Isso restringe e diminui a capacidade de entendimento do direito", afirmou.

Também presente na mesa redonda, a mestre em geografia, Anna Christine Ferreira Kist, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), se dedicou nos últimos anos à Educação Ambiental Crítica e à Educação do Campo, entendidas como campos de educação e de luta dos movimentos sociais. Para ela, a articulação entre essas duas áreas e os movimentos sociais dentro da universidade é fundamental.
"Um evento como este ajuda a avançar não só na educação ambiental e na educação do campo, mas também em um projeto igualitário para o país, voltado à justiça ambiental, à justiça social e aos povos do campo, das águas e das florestas. A partir da luta dos movimentos sociais, já conseguimos avanços nesses campos, principalmente no Plano Nacional de Educação. Agora, precisamos lutar pela institucionalização desses avanços dentro das universidades, dos territórios e dos diferentes sujeitos que lutam por eles", afirma.

Professora do Departamento de Geografia do Campus de Itabaiana e integrante dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo e da Escola da Terra, Laiany Rose Souza, destacou que o ENEC é um encontro de crescimento e de valorização da educação como possibilidade de transformar a realidade. “O debate sobre as crises ambiental e territorial costuma ser apresentado como uma culpa individual, mas essas crises não são uma questão restrita aos cientistas: elas se manifestam diariamente nos territórios rurais, no campo, nas águas e nas florestas, e impactam toda a comunidade”, afirma.
Para a professora, levar essa discussão para dentro da universidade mostra que combater a crise ambiental exige compreendê-la em sua totalidade e reconhecer a necessidade de uma reforma agrária popular, que tenha a educação como instrumento de transformação e estimule um pensamento subversivo.

Acompanhando a programação, o estudante Jonathan Gomes, gestor ambiental e aluno de Engenharia Agronômica do Campus São Cristóvão, avaliou que eventos voltados ao meio ambiente são de grande importância, já que a comunidade em geral ainda não se preocupa com o tema. Para ele, ao reunir palestras e minicursos, o encontro atrai mais pessoas e as leva a sair com uma mentalidade diferente.
Giulia Meneses - Ascom UFS

