
Na última quinta-feira, 22, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) promoveu o Dança Sergipe 2026 — Corpos da Sergipanidade: Memória, Cultura e Dança em Sergipe, realizado no Teatro Atheneu, em Aracaju. Promovido pelo Departamento de Dança da Universidade Federal de Sergipe (DDA/CECH/UFS), o evento integrou a Semana da Sergipanidade e reuniu atividades acadêmicas e artísticas em dois turnos.
A programação começou com apresentação da Companhia de Dança da UFS, seguida da composição da mesa institucional e dos pronunciamentos das autoridades.
Na mesa “Manifestações Culturais Sergipanas e suas Danças”, a conversa reuniu Mestre Roberto, do Reisado Baile Estrela, de Moita Bonita; e Marcelo Rangel Lima, com mediação da professora Jussara Rosa Tavares, da UFS. Para Mestre Roberto, a presença dos mestres em um espaço acadêmico é parte essencial da construção do conhecimento. “É extremamente importante trazer esse conhecimento do tradicional, dos mestres, porque ele enriquece e contribui. A gente também aprende nesse espaço, com o conhecimento acadêmico”, afirmou.

Ele destacou que a relação é de mão dupla. Segundo o mestre, o diálogo entre o saber tradicional e o saber da universidade só faz sentido quando existe troca: “Essa troca de experiências é muito importante”.
Em seguida, a mesa-redonda “Memória da Dança em Sergipe” teve a participação de Fernando Aguiar, professor da UFS e membro do Conselho Estadual de Cultura, com mediação do professor Mário Rezende, da UFS. Ao longo da manhã, o encontro aproximou a formação universitária, as políticas culturais e o patrimônio vivo, reconhecendo os saberes de quem constrói a dança em diferentes espaços.
Para o Secretário de Estado da Cultura, Irineu Fontes, a integração promovida por cursos de artes nas universidades é essencial para criar um contato direto com as comunidades, permitindo que políticas públicas e a produção artística caminhem juntas para apoiar as novas gerações de artistas.
“Esse contexto da dança em Sergipe, que tem uma história importante, com o Spinelli, com a Dorinha Teixeira, com tantas outras pessoas que passaram pela dança e trouxeram a dança até aqui. Precisamos ter pessoas entendendo mais, não só da dança, mas da cultura e da arte em Sergipe, porque já tivemos momentos de investimentos altos e não vimos os resultados como deveria. Por falta exatamente de formação e de qualificação, tanto de quem elabora os editais quanto de quem participa deles”, destaca.

Para o secretário, eventos como o Dança Sergipe levam a discussão às pessoas de outra forma. “Além da forma lúdica, de um jeito mais técnico, de memória até, para a gente conseguir realizar um trabalho importante para o futuro. A gente está trabalhando para as pessoas que estão chegando, não para as que já passaram. Estamos tentando montar uma política pública para essa meninada que acha que a arte é a coisa mais bela do mundo, mas é muito trabalho, e precisa entender, precisa se formar, se qualificar, para a gente cada vez melhorar.”
Irineu também apontou o distanciamento histórico entre universidade e sociedade. “Sempre foram separados, cada um fazendo o seu. Universidades trancadas nas suas paredes, fazendo seus mestres, seus doutores, seus pós-doutores, mas sem a sociedade participar tão diretamente. Com os cursos de artes nas universidades, a gente chega a ter esse contato mais direto com os alunos, mas principalmente com as comunidades.”
“A gente precisa levar a política pública aplicada e construída por meio de conversas dos fazedores com as secretarias, com o ministério, uma política da universidade, de formação e qualificação, e a política das artes em si. É importante estar todo mundo junto nisso, porque a gente não vai para lugar nenhum separadamente”, completa.
À noite, o palco do Atheneu recebeu “Lírio da Paz”, espetáculo com concepção e direção de Lavínia Teixeira-Machado, coordenadora do Departamento de Dança da UFS. A montagem percorreu a trajetória de Dorinha Teixeira, dos primeiros passos na Escola de Artes de Dona Neide à atuação na Escola Sergipana de Ballet, passando pelo retorno ao ensino e pelos caminhos artísticos de suas alunas e familiares.

O público acompanhou uma noite de diversas linguagens, entre balé clássico, dança contemporânea, dança popular e dança do ventre. Entre as obras apresentadas estiveram “Berceuse”, “A Morte do Cisne”, “Rondò alla Turca”, “Exaltação” e “Maria Cristo”, além de um bloco dedicado ao Forró Balé, experiência iniciada por Dorinha em 1997.
A música ao vivo ficou a cargo do Trio Serestas, formado por Marília Teixeira (canto lírico), Lucas Campelo (sanfona) e Rodrygo Besteti (violão). Escolas e grupos convidados ampliaram o encontro entre artistas de diferentes gerações.
Para a coordenadora do evento, Lavínia Teixeira-Machado, a importância do encontro está no fortalecimento da identidade. “Quando a gente fortalece a nossa identidade no território a que pertence, consegue, de fato, que os nossos jovens sintam e percebam que essa cultura está dentro de nós e faz parte da nossa formação e do nosso desenvolvimento como seres humanos. Eles sempre são chamados apenas para as manifestações culturais e folclóricas. Agora, a gente está trazendo eles para uma mesa-redonda científica, para serem ouvidos. Isso é de extrema importância. Eles estão muito felizes por estarem vindo para esse espaço”, reforça.

A coordenadora ressaltou ainda o simbolismo do local escolhido. “A ideia foi trazer o evento para dentro do teatro mais antigo do estado de Sergipe, uma casa com mais de 100 anos de existência. É muito gratificante ter essa oportunidade e o suporte do magnífico reitor para realizar o evento aqui, dentro da caixa preta, dentro do nosso Teatro Atheneu.”
Giulia Meneses - Ascom UFS




