
Os primeiros sinais de perda auditiva podem ser muito sutis. Pensando em possibilitar a detecção precoce, que aumenta as chances de uma intervenção rápida, o projeto Rede ReabLITA, representado na UFS por docentes do Departamento de Fonoaudiologia do campus Lagarto, recebeu a pesquisadora internacional King Chung, trazida ao Brasil pelo programa Fulbright. A programação iniciou com palestra na segunda-feira (19), realização de avaliação de audição e testagem de aplicativos em fase de desenvolvimento na Clínica de Saúde José Antônio de Menezes Meroba, no povoado Campo do Criolo, e segue em escola da localidade ao longo desta semana.
A professora Mariane Comerlatto, do Departamento de Fonoaudiologia do campus Lagarto, coordena a equipe sergipana da Rede ReabLITA e explica que a ida da pesquisadora King Chung para Lagarto é parte de uma iniciativa do projeto. “Ela tem muitos projetos e também patentes na área de audiologia. Atualmente, estamos trabalhando diretamente com ela, no desenvolvimento de aplicativos”, explica.
A pesquisadora King Chung já conhece bem a realidade de diversas populações brasileiras, com atendimentos e palestras sobre a audiologia humanitária. Já esteve em Bauru (interior de São Paulo), João Pessoa, Rondônia e Natal, e comunidades indígenas do País. Em Sergipe, porém, é sua primeira vez. “Há diferenças básicas como o acesso geográfico, mas percebo muito mais similaridades. Em todos os casos, existe a necessidade de fazer que a saúde esteja mais perto da população. E é isso que a universidade está fazendo aqui hoje”, comenta.


Um desses beneficiados foi o agricultor Franklin Costa, morador do campo do Criolo, que passou pela avaliação pela primeira vez, e também teve a reabilitação realizada. “Já faz uns cinco anos que eu percebi que estava pedindo para as pessoas repetirem o que tinham falado, além do volume da televisão sempre muito alto. Aqui, eu já agendei assim que eu soube desse atendimento e fui muito bem tratado”, avalia.
O ganho é para a população, mas também para quem está em fase de formação. É o caso do discente Felipe Dantas, que participou dos atendimentos no Campo do Criolo. “É importante para a gente porque é muito desafiador porque as circunstâncias não são controladas, é realmente uma prática diferente”, explica. Felipe é integrante do ReabLita e pretende continuar a atuação na área de audiologia ao longo da vida profissional.

Pesquisadora do projeto, a ex-professora do campus Lagarto Alice Ramos explica que existem variáveis na perda auditiva, que podem impactar a percepção dos sons. Quanto mais cedo forem identificadas a perda e a classificação, melhor tende a ser o processo de intervenção. “Existem alguns fatores importantes nos nossos registros de atendimento. Muitas vezes, as pessoas acreditam que estão com uma perda auditiva, mas é, na verdade uma obstrução por cera. Em outras vezes, há realmente uma perda ali, às vezes até de moderada à severa, mas as pessoas acabam ficando assustadas e com, medo do diagnóstico, adiam essa busca”, explica.

Os docentes da UFS participantes são Ademir Comerlatto, Josilene Duarte e Mariane Comerlatto, além dos fonoaudiólogos/pesquisadores Alice Ramos e Reinaldo Messias; e onze discentes do Departamento de Fonoaudiologia do campus Lagarto. O projeto de pesquisa Rede ReabLITA é coordenado nacionalmente pela docente Sheila Balen, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e tem o objetivo de criar soluções inclusivas para o SUS. É formado pela UFRN, UFS, USP e UFPB e conta com colaboradores internacionais dos EUA, Inglaterra, Holanda e África do Sul.
Ana Laura Farias - Campus Lagarto

