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 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

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Em 2013, ingresso na UFS somente será feito por desempenho no Enem

Cinform

A forma tradicional de ingresso na Universidade Federal de Sergipe - UFS - está com os dias contados. O último Concurso Vestibular da instituição pública de nível superior será aplicado entre os dias 27 e 30 de novembro. Os aprovados no certame deste ano se matriculam na UFS em 2012. A partir de 2013, quem quiser estudar na Universidade terá que se submeter às provas do Exame Nacional do Ensino Médio - Enem. A decisão foi aprovada pelo Conselho do Ensino, Pesquisa e Extensão - Conep - da UFS, em 2010. Mas, diante das denúncias de irregularidades no Exame Nacional, a instituição manterá a deliberação de acabar com o vestibular definitivamente?



Manoel Leite Torres, coordenador do Concurso Vestibular - CCV - da UFS, garante que a instituição não cogita voltar atrás na deliberação de ter o Enem como forma de acesso à Universidade, apesar de demonstrar preocupação com os constantes problemas ocorridos na aplicação das provas do Exame. "Vamos ficar aguardando os encaminhamentos da Justiça Federal", diz. Na última sexta-feira, dia 4, o desembargador federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, presidente do Tribunal Regional Federal - TRF - da 5ª Região, acolheu recurso da Advocacia Geral da União - AGU.



Por decisão do TRF, as 13 questões às quais os 639 alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, no Ceará, tiveram acesso serão anuladas apenas para estes estudantes. Oscar Costa Filho, procurador da República, defendia a anulação de todas as questões em litígio das provas dos 5,3 milhões de alunos que fizeram o Enem 2011. Como a decisão não é definitiva, a sociedade terá que aguardar as próximas deliberações da Justiça. Até lá, a incerteza paira no ar. O Conep tem autonomia, por exemplo, para retroceder na deliberação de adotar o Enem, mas o tempo urge.



E se a proposta de voltar ao Concurso Vestibular for aprovada em uma das muitas reuniões do Conep? Para Manuel Leite, se isso vier a acontecer, o ideal é que a instituição informe a população com muita antecedência. "Do contrário, é muito complicado", afirma. Com certeza. Isso porque as provas do vestibular da UFS são elaboradas pela Fundação Carlos Chagas e aplicadas pela Universidade. A instituição teria que fazer um novo contrato às pressas e comunicar à sociedade. Pela decisão atual, a partir de 2012, os alunos terão que fazer duas inscrições - uma na UFS e outra no segundo Enem - ainda sem data prevista para realização.



CLASSIFICAÇÃO







Os concorrentes farão as provas do Enem e a Universidade enviará para o MEC a relação dos inscritos. Caberá ao Ministério reenviar a relação com as notas dos inscritos no processo de seleção da UFS, que fará, então, a classificação, mantendo o sistema de cotas. Qualquer pessoa, mesmo que não esteja cursando o ensino médio, poderá se inscrever no Enem para concorrer a uma vaga na UFS. Manoel Leite tem esperança de que, até lá, todos os entraves que permeiam o Exame Nacional terão sido superados.



O coordenador do CCV credita os problemas à centralização na elaboração, aplicação e correção das provas por apenas duas instituições - o Cespe e a Cesgranrio. "A possibilidade de acontecerem erros é muito grande. Em Sergipe, há apenas dois fiscais - um de cada instituição. Imagine o que é transportar e aplicar provas em Estados enormes, como o Amazonas, por exemplo", argumenta. Nas reuniões do MEC, Manoel Leite tem sugerido que cada instituição faça a sua prova do Enem. "Assim é mais fácil impedir o vazamento das provas", diz.



Vazamento que pode prejudicar e beneficiar os alunos inscritos no Exame Nacional. Isso porque as 180 questões da prova têm um valor diferenciado. O MEC usa a Teoria da Reposta ao Item - TRI - para avaliar três parâmetros de cada questão: o poder de discriminação, ou seja, a capacidade de um item distinguir quem tem a competência requisitada de quem não a tem; o grau de dificuldade e a possibilidade de acerto ao acaso, o tal chute. Só o MEC sabe quais questões valem mais ou menos.



Pelo método, se o aluno acertar o maior número de questões fáceis, pode parecer que ele chutou e a média dele será inferior à dos que acertaram as mais difíceis. "Sem saber qual o valor de cada questão, é difícil mensurar quem ganha e quem perde com a anulação das 13 questões. Mas quem acertou pode ser prejudicado e quem errou pode ser beneficiado", afirma Alailson Pereira Modesto, professor, sociólogo e diretor do Dataform. Segundo ele, esse vazamento de questões ocorre porque o Enem é um processo novo e o banco de dados das instituições que promovem Exame ainda é pequeno. Se fosse maior, com 5 mil questões, por exemplo, a probabilidade de serem identificadas seria muito menor. "É a lei de regularidade estatística", esclarece.

10/11/2011

qui, 10/11/2011 - 20:58