Qui, 12 de maio de 2022, 05:01

Sergipe é primeiro estado a receber pesquisa nacional sobre uso de redes sociais por jovens
Primeira etapa do Projeto Letramento Digital foi realizada em escola pública de Aracaju
 Barão de Mauá foi a escola pioneira na aplicação da pesquisa. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Barão de Mauá foi a escola pioneira na aplicação da pesquisa. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

O Brasil é o terceiro país que mais usa redes sociais, atrás apenas das Filipinas e da Colômbia. Os brasileiros ficam conectados, em média, 3h42 por dia, sendo que os jovens entre 16 e 24 anos são os que mais acessam. O levantamento, divulgado ano passado pela plataforma Cupom Válido com dados da Hootsuite e WeAreSocial, reforça a tendência de aumento do consumo das mídias digitais no mundo.

Frequentemente, o uso da internet pelo público infanto-juvenil gera discussões sobre questões como o tipo de conteúdo acessado e o impacto das ferramentas digitais na rotina de crianças e adolescentes. Nesse sentido, pesquisadores de cinco universidades brasileiras estão investigando o uso das redes sociais por esse grupo, com um foco específico: o aproveitamento das ferramentas digitais em favor da educação.

A primeira etapa da pesquisa de campo do projeto “Letramento Transmídia” foi realizada no final do mês de abril deste ano no Centro de Excelência Barão de Mauá, localizado no Bairro São Conrado, na Zona Sul de Aracaju.

A iniciativa é desenvolvida por professores e estudantes de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal de Alagoas, Universidade de Brasília e Universidade Estadual de Goiás.

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O estudo é inspirado na Transmedia Literacy, uma pesquisa realizada na Espanha e replicada em oito países. O objetivo é entender como os jovens estão aprendendo com as mídias digitais e como elas podem ser incorporadas ao processo de aprendizagem formal mediante aplicação de questionários, promoção de workshops e entrevistas em profundidade.

Como resultado da investigação científica, serão elaborados materiais para a formação de professores e orientação para a formulação de políticas públicas em educação inovadora nos estados, segundo a professora de Publicidade e Propaganda da UFS, Tatiana Guenaga Aneas.


Tatiana Aneas é professora de Comunicação Social da UFS. Foto: Pedro Ramos/Ascom UFS
Tatiana Aneas é professora de Comunicação Social da UFS. Foto: Pedro Ramos/Ascom UFS

“Há uma realidade diferente entre os meus alunos da graduação. Da mesma maneira que isso ocorre comigo enquanto professora, e com os meus colegas, também ocorre nas escolas. Então, de que maneira essa compreensão pode ajudar a diminuir essa distância e tornar a escola mais interessante para o estudante?”, questiona a professora Aneas.

Para a diretora do Centro de Excelência Barão de Mauá, Maria Gisleide Santos Aragão, a ação vai estimular o uso construtivo dos dispositivos digitais na sala de aula. Ela também celebra o pioneirismo do colégio que dirige, o primeiro do país a receber o estudo de abrangência nacional.

“Tenho certeza que [o projeto] vai contribuir para a qualidade do ensino. Na era da tecnologia, os nossos jovens vivenciam o celular, então esse projeto junto com a UFS veio para que a gente aproveite esse tempo de modo que esses jovens possam aproveitar esse momento de aprendizagem, que é muito importante para a qualidade do ensino”, afirma.

Etapas do projeto

Em cada escola selecionada nos cinco estados, a pesquisa é feita em três etapas. Na primeira fase, ocorre o processo de conscientização dos estudantes acerca da importância de participar do estudo. Na segunda, a aplicação de um questionário com seis turmas do ensino médio. Na terceira e última etapa, são realizadas entrevistas com estudantes identificados a partir do potencial para fornecer informações a respeito do uso que fazem das redes sociais.

“Temos uma série de perguntas com o objetivo de entender o que os jovens fazem e aprendem com as mídias digitais, de que forma e com quem produzem, se fazem com amigos e familiares, quais são os gostos que têm em relação ao uso das redes sociais e sempre tentando entender de que forma esse conhecimento adquirido com o auxílio das mídias digitais pode ser associado a estratégias de aprendizagem formal”, explica o estudante de Publicidade e Propaganda da UFS, Igor Ribeiro Vilela.

“As perguntas podem até parecer meio aleatórias, como por exemplo: qual série você assiste; que livro lê; por onde consome esse conteúdo, mas, no fundo, temos o objetivo de entender as habilidades adquiridas com o uso das mídias e trazer para a sala de aula”, acrescenta.

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Estudantes responderam questões sobre uso de mídias digitais. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Estudantes responderam questões sobre uso de mídias digitais. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Nicolas dos Santos Silva foi um dos estudantes selecionados para responder a pesquisa no Colégio Barão de Mauá. Ele relata de que forma utiliza as mídias digitais na escola. “Aqui, eu uso o WhatsApp. Geralmente, eles [equipe pedagógica] mandam a lista de chamada, o horário das aulas ou algum dever através de um PDF para poder fazer em casa, por isso, uso muito. Também participo de grupos da escola para saber informações complementares. Na sala de aula, consigo prestar atenção sem usar o celular, mas, para fazer pesquisas. eu teria dificuldade sem o aparelho”, conta o estudante.

Letramento Transmídia

O professor de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas, Vitor Braga, afirma que o conceito de letramento não é tão novo e foi bastante usado por Paulo Freire, por exemplo. O que tem de mais recente, segundo ele, é o letramento transmídia num contexto de convergência dos meios tecnológicos, no qual os adolescentes produzem e consomem por meio de diversas plataformas.

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“Esse processo de interação é importante para pensar esse contexto comunicacional. Letramento Transmídia é o aprendizado por e através dessas mídias. É interessante perceber como esses adolescentes aprendem com as mídias e como conseguem desenvolver competências por meio delas”, explica Braga.

O professor da UFAL também chama a atenção para a peculiaridade do contexto brasileiro: um país com dimensões continentais e muita desigualdade de acesso às redes de comunicação.

“Dessa forma, a pesquisa, ao contrário de outros países, tem particularidades brasileiras. Esses jovens consomem muito através dessas redes sociais. Nesse contexto, eles estão consumindo conteúdo que, do ponto de vista da educação, podem ser utilizados para pesquisas sobre temas para além do consumo de entretenimento”, aponta.

A pesquisa é financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC/SE) e pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC).

Jhonny Oliveira e Josafá Neto


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Atualizado em: Qui, 12 de maio de 2022, 05:04
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