
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) sediará, nos dias 03 e 04 de setembro, o 16º Encontro Nacional do Grupo de Trabalho de Sociolinguística da ANPOLL. Com o tema "IA: Dados sociolinguísticos para a soberania nacional", o evento reunirá pesquisadoras e pesquisadores de diferentes regiões do país para discutir o papel da Inteligência Artificial na produção de conhecimento, os desafios éticos do uso dessas tecnologias e a importância dos dados linguísticos para o desenvolvimento científico brasileiro.
A realização do encontro reforça o protagonismo do Laboratório Multiusuário de Informática e Documentação Linguística da UFS (LAMID/UFS), referência nacional na integração entre Sociolinguística, Linguística Computacional e Processamento de Linguagem Natural.
Para a coordenadora do LAMID e organizadora do evento, professora Raquel Freitag, compreender como a Inteligência Artificial funciona é indispensável para que seu uso seja cada vez mais consciente, especialmente no ambiente acadêmico.
“Um evento reunindo pesquisadoras altamente especializadas em dados linguísticos, bem como a reflexão propiciada, é importante para auxiliar na formulação de uma política ética e responsável para o uso de IA nas práticas acadêmicas. Além disso, o evento dá visibilidade a um trabalho de desenvolvimento de mais de 10 anos no LAMID, vinculado ao condomínio de laboratórios do mesmo nome, que vem projetando a UFS como instituição de referência na constituição de amostras sociolinguísticas”, destacou.

Segundo a professora, o avanço acelerado da Inteligência Artificial, principalmente nas tecnologias que envolvem a linguagem natural, impõe novos desafios à Linguística. E, é a Sociolinguística a área que investiga essas relações entre língua e sociedade.
“Foi por meio da linguagem que a IA ganhou maior atenção e agora não se refere mais apenas às tarefas automáticas, mas às tarefas que emulam a alma humana: conversar, escrever textos num nível de refinamento que nos confunde e nos fascina. Mas, para chegar nesse nível de desenvolvimento, foi necessário muito trabalho e muita ciência. Para a IA ‘aprender’, foi necessário treiná-la, e no caso de língua, com um grande volume de dados linguísticos”, explicou Raquel.
Além de debater tendências teóricas e metodológicas da área, o encontro pretende fortalecer a produção de dados representativos da diversidade linguística brasileira, contribuindo para pesquisas voltadas à soberania nacional e ao desenvolvimento de tecnologias mais inclusivas e alinhadas à realidade do país. As áreas temáticas são:
- Dados, direitos e soberania digital;
- Ensino, variação e diversidade linguística;
- Sociolinguística e Inteligência Artificial;
- Sociolinguística e interfaces;
- Tendências e modelos teóricos em variação;
O evento conta com apoio da FAPITEC/SE, por meio do Edital PRAEV 15/2025 e CAPES PAEP, e é promovido no âmbito do Grupo de Trabalho de Sociolinguística da ANPOLL (Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística), um dos principais fóruns de pesquisa em Letras e Linguística do Brasil.
As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma do evento.
Laura Malaquias - Ascom UFS
