
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) realizou o XVII Encontro Estadual de Química (ENESQUIM), que nesta edição tem como tema “Inteligência Artificial e a Química: ferramentas e desafios”. O evento reuniu pesquisadores, professores e estudantes para discutir as transformações promovidas pela inteligência artificial (IA) na produção do conhecimento científico, com destaque para suas aplicações, limitações e implicações éticas.
O encontro foi organizado pelo Departamento de Química do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET), no campus de São Cristóvão, e pelo Departamento de Química do Campus de Itabaiana (DQCI), o encontro propõe reflexões sobre a integração entre ciência, tecnologia e inovação. A programação incluiu palestras, oficinas, minicursos e apresentações de trabalhos científicos em formato de pôster, contemplando as cinco grandes áreas da Química: Analítica, Orgânica, Inorgânica, Físico-Química e Ensino de Química.
O ENESQUIM busca promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre a comunidade acadêmica, incentivando o debate sobre as oportunidades e os desafios da IA na pesquisa, no ensino e nas aplicações industriais. A iniciativa também destaca a importância de compreender essas ferramentas de maneira crítica, considerando suas contribuições para o avanço científico e as questões que surgem com sua utilização.
De acordo com a organizadora do evento, a professora Elisangela de Andrade Passos, o evento busca levar mais conhecimento sobre o uso da Inteligência Artificial na Química.
“O principal objetivo é reunir esses profissionais em um só lugar e levar o debate, as discussões sobre o tema. A inteligência artificial é um tema que algumas pessoas falam que é do futuro. Não é do futuro, é do presente. Hoje mesmo, a gente já está tendo nas nossas aulas, a presença. Então, [é importante] fazer esse debate e relacionar com a química”, explica.

Gilton José Ferreira da Silva, professor do Departamento de Ciências da Computação da UFS e palestrante, salienta que eventos como este estimulam a comunidade acadêmica na fomentação de pesquisa, como também no estudo sobre a Inteligência Artificial.
“Não só na parte de química, mas em qualquer tipo de pesquisa, a inteligência artificial é essencial e hoje em dia. O pessoal está usando e tem que saber usar da maneira correta, com ética, com responsabilidade e sabendo trazer isso para suas pesquisas ou qualquer tipo de trabalho”, salienta.

A professora Helenice Leite Garcia, do Departamento de Engenharia Química da UFS, também palestrante do evento, salienta que o encontro é um momento de integração entre os discentes na universidade.
“Desmistificar qualquer tipo de tema é importante, então conversar com os alunos sobre a IA e desmistificar esse medo que a gente tem de ser substituído pelo robô, é super importante e essencial para quem está começando ou para quem já usa a IA, às vezes só como uma ferramenta subutilizada e não sabe o significado de transformar uma ideia ou resolver um problema com inteligências artificiais que já resolvem problemas complexos de engenharia. Então, todo conhecimento é válido e nesse tema tão moderno, eu acho essencial”, afirma.

Já para o discente de Química licenciatura, Felipe Cardoso, o evento movimenta os estudantes ao colocá-los em contato com profissionais da área, despertando seu interesse pela pesquisa e contribuindo para sua formação ao complementar os conteúdos estudados durante o curso.
“A gente vê muito na sala de aula em si, uma coisa muito mais direcionada para lidar com algumas situações, só que não todas. E às vezes essas interações com alguns palestrantes, até com o pessoal que vem de fora para prestigiar a palestra, contribui muito para essa formação, para você até se interessar por outras áreas ou por outras linhas de trabalho”, opina.

A presença da inteligência artificial no campo da Química amplia as possibilidades de pesquisa e análise de dados, contribuindo para o desenvolvimento de métodos e ferramentas capazes de auxiliar os pesquisadores em diferentes etapas da investigação científica. Ao mesmo tempo, a incorporação dessas tecnologias exige atenção à confiabilidade dos resultados, aos limites de utilização e à responsabilidade ética no uso de sistemas automatizados.
Ao reunir pesquisadores e estudantes em torno de um tema cada vez mais presente na ciência contemporânea, o encontro fortalece a discussão sobre os caminhos da inovação e o papel da formação científica diante das transformações tecnológicas.
Camile Doria, sob supervisão do jornalista Lucas Silva - Ascom UFS



