Qui, 05 de fevereiro de 2026, 14:48

Aglaé Fontes é homenageada na UFS por atuação relevante no teatro sergipano
Espetáculo Brefaias foi reformulado e exibido com primeiros artistas participantes da peça
Brefaias completa 50 anos e celebra o legado de Aglaé Fontes no teatro sergipano (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Brefaias completa 50 anos e celebra o legado de Aglaé Fontes no teatro sergipano (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

A professora e pesquisadora Aglaé Fontes foi homenageada pela criação do espetáculo Brefaias, na noite dessa quarta-feira, 4, na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento marca meio século da estreia da cena de grande relevância para o teatro sergipano, que até esta quinta, 5, estará em exibição no Auditório da Reitoria, no campus de São Cristóvão.

Ambientada em uma feira popular, Brefaias gira em torno do encontro entre um grupo folclórico do Guerreiro — manifestação tradicional do ciclo natalino do Reisado — e Chico, um vendedor de cordéis que deixa o interior em direção à capital em busca de melhores condições de vida. O cruzamento desses universos revela, de forma poética e crítica, o cotidiano do povo, suas lutas, afetos e estratégias de resistência, compondo um retrato sensível do Brasil profundo.


(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

O espetáculo foi encenado pela primeira vez em 1976 pelo Grupo Expressionista da UFS. A obra enfrentou cortes da censura durante o período da Ditadura Militar, o que reforça seu valor como documento artístico, político e histórico. Quase cinco décadas depois, a nova montagem revisita esse legado, atualizando sua força simbólica e reafirmando o papel do teatro como espaço de criação, reflexão e liberdade.

Emocionada, Aglaé Fontes falou sobre a velocidade do tempo e a sensação de reviver o espetáculo. “O teatro, antes de ir para o palco, é literatura. Quando vai pra cena, vira verdade. Pra mim foi uma emoção muito grande. Chegar aqui, ver as fotos, ver o público chegando. Mas nem eu mesma lembrava que já eram 50 anos”.


A reinterpretação tem no elenco estudantes do curso de Teatro e 12 artistas já atuantes na cena inicial (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
A reinterpretação tem no elenco estudantes do curso de Teatro e 12 artistas já atuantes na cena inicial (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

A reinterpretação tem no elenco estudantes do curso de Teatro e 12 artistas já atuantes na cena inicial. Toda a ficha técnica do espetáculo é composta por discentes da turma, que assumem funções de direção, produção, visualidades, sonoplastia, figurino e comunicação, ampliando a experiência formativa e revelando novos talentos para a cena artística do estado.

O novo experimento integra a disciplina de Montagem Teatral,do curso de Teatro da UFS, e está sendo coordenado por Maicyra Leão e Marcelo Brazil, professores da instituição.

“Os alunos da disciplina queriam fazer teatro de pano, então escolhemos o Brefaias. Durante as pesquisas, entendemos a dimensão histórica que a gente carregava, demarcando não só um momento que foi importante para a universidade, mas as voltas que esse teatro universitário carrega. A ideia da remontagem foi entrelaçar esses momentos históricos e fazer jus a esses 50 anos aqui dentro da universidade”, disse Maicyra.


Maicyra Leão e Aglaé Fontes (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Maicyra Leão e Aglaé Fontes (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

A professora aposentada e ex-vice-reitora da UFS, Iara Campelo, fez parte da primeira turma do Teatro Expressionista, enquanto ainda era estudante do curso de Pedagogia. “É uma emoção voltar à UFS e ver essa homenagem a uma pessoa que merecia tanto, porque o início do teatro em Aracaju e Sergipe é Aglaé e Alencar”, celebrou.

Gracinha Barreto foi aluna de Aglaé Fontes aos cinco anos de idade e também fez parte da primeira turma do Teatro Expressionista. No decorrer desses 50 anos, trabalharam outras vezes juntas. Ela falou sobre a emoção de ver o Brefaias reinterpretado por jovens artistas. “Confesso que tomei um susto quando recebi o convite para a homenagem. Passa um filme na cabeça, sabe? Torço por essa nova turma porque mantém o espetáculo vivo, o teatro vivo, a vida artística viva”.


Iara Campelo e Gracinha Barreto (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Iara Campelo e Gracinha Barreto (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

Carlos Dias também foi um dos artistas participantes das primeiras exibições do Brefaias, interpretando um vendedor e guerreiro de Reisado. Ele deixou uma mensagem para artistas em formação. “Coragem! Não desistam dos objetivos, não desistam do propósito e continuem firmes no empreendimento, porque logra-se êxito quando a gente se dedica com exclusividade”.


Carlos Dias (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
Carlos Dias (Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)

O reitor da UFS, professor André Maurício Conceição, também participou do evento e falou sobre a importância da memória e da beleza do teatro:

“O que a gente viu aqui hoje foi uma das coisas mais belas que já vi nessa universidade. Esta é uma noite histórica, que junta um grupo maravilhoso e nos faz relembrar o processo da Ditadura, para nos fortalecer”, disse.


(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
(Foto: Elisa Lemos/Ascom UFS)
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Ascom UFS


Atualizado em: Qui, 05 de fevereiro de 2026, 16:28
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