
A quarta edição do Programa de Qualificação Docente (PQD), realizada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) em parceria com o Governo do Estado, marcou não apenas a conclusão de uma nova formação acadêmica, mas também mudanças concretas na trajetória profissional de cerca de 270 professores da rede pública. A colação de grau reuniu educadores de diferentes áreas que passaram a contar com uma segunda ou terceira graduação, ampliando possibilidades de atuação em sala de aula e fortalecendo o ensino nas escolas estaduais.
Para muitos docentes, o programa representou a chance de reorganizar a carreira e aprofundar conhecimentos. A professora Taynara Soares, por exemplo, já formada em Física e Pedagogia, concluiu Matemática pelo PQD como forma de ampliar sua carga horária e qualificar a prática pedagógica.

Ela destacou que a formação contribui diretamente para o trabalho com os alunos, especialmente ao despertar o interesse pelas áreas de exatas e tornar o ensino mais acessível. “Você conseguindo transmitir um pouquinho desse gostar para esses alunos, a gente percebe que consegue colher frutos. E, olhando como professora, além do leque de oportunidades que temos, com essas diversas graduações, também pensamos nos nossos alunos, em transmitir mais conhecimento para eles, mais informações”, acrescentou.
Histórias como a do professor José Welligton também evidenciam o impacto do programa. Aos 69 anos, ele concluiu a licenciatura em Química após já atuar com Física e Matemática. “Eu não sou daqui de Sergipe, sou do Rio Grande Norte. Então quando eu me formei a nível médio em eletrotécnica, eu fiquei vindo para trabalhar na antiga Energipe. Em 2007, com 50 anos de idade, resolvi fazer o vestibular e passei. Então resolvi fazer física porque era pela noite. Eu queria Engenharia Elétrica porque sou formado em eletrotécnica, mas como era durante o dia, eu não tinha esse luxo de fazer esse curso”, afirmou.

Com a nova formação, ele passa a ter mais possibilidades de atuação em uma única unidade, além de reforçar a integração entre áreas do conhecimento que se correlacionam. “Como eu já tinha física e matemática, tudo está dentro da ciência e da natureza, e sempre uma se correlaciona com a outra. Então resolvi fazer química, porque uma ajuda a outro. E também, como, às vezes, está no contrato, você precisa complementar a carga horária, porque só física não é o suficiente, então você já tem uma formação em química ou em matemática para complementar. Não é que você vá pegar o lugar do outro colega, mas você pega algumas aulas para complementar a sua carga horária, para que você não fique trabalhando em dois colégios, se deslocando”, finalizou.
Já a professora Agda Luzia encontrou no PQD não apenas uma nova formação, mas também a oportunidade de vivenciar momentos simbólicos da vida acadêmica que haviam sido interrompidos pela pandemia. “Eu não tive uma formatura porque a minha foi na pandemia, então é muito gratificante estar aqui e ter esse momento. Quando surgiu a inscrição do PQD, eu fiquei muito feliz”.

Formada anteriormente em Letras-Libras, ela concluiu Letras-Português e destacou a importância de adaptar conteúdos para diferentes públicos, especialmente estudantes surdos, ampliando o alcance da educação inclusiva.“Na época, eu dava aulas de Libras na UFS como voluntária em um programa. Não sou professora do Estado, mas sou servidora do magistério e fui aprovada. Escolhi o polo de Propriá e meu esposo me levava mensalmente para as aulas presenciais. Estudei por dois anos e, graças a Deus, consegui. Agora, quem sabe surja um concurso ou processo seletivo na área de Português para eu voltar à sala de aula, que é o que eu gosto de verdade”, enfatizou a formanda.
Segundo o coordenador-geral do programa, Erivanildo Lopes o PQD tem como principal diferencial o fato de dialogar diretamente com professores que já estão em sala de aula. Ele explicou que o retorno desses profissionais à universidade permite a atualização de metodologias e o contato com novas perspectivas de ensino, o que impacta diretamente a qualidade da educação básica.
“Este programa é fundamental porque reaproxima o professor da educação básica da universidade. Ele retorna ao ambiente acadêmico para discutir metodologias, interagir com docentes universitários e analisar as perspectivas e questões atuais do ensino. O processo ocorre por meio de encontros presenciais e estudos à distância, sempre com acompanhamento pedagógico. O PQD conta com professores da universidade que atuam diretamente com os alunos da segunda licenciatura, além de mais de 140 tutores que dão suporte a esse processo. Trata-se de uma formação extremamente robusta, que carrega a expertise da Universidade Federal de Sergipe”, frisou o coordenador-geral.

A diretora do Centro de Educação Superior a Distância (Cesad), Ana Maia, ressaltou que o modelo atual do programa, com formato semipresencial, reforça a parceria entre universidade e Estado. Para ela, a segunda licenciatura atende às demandas reais da rede pública e contribui para uma formação mais interdisciplinar, alinhada às exigências educacionais contemporâneas.
“Já tivemos três PQDs anteriores, mas, há muito tempo, eles eram presenciais. Este agora vem em um formato novo. É uma segunda licenciatura à distância, no modelo semipresencial, e marca algo fundamental: a relação entre o Estado e a Universidade. E a Universidade está se consolidando como centro de formação de docentes, que ajuda o Estado a adequar o seu quadro de professores às suas necessidades, e também capacita os professores para novas realidades”, pontuou a diretora.
Para o reitor da UFS, André Maurício, a iniciativa representa um investimento direto na melhoria da educação em Sergipe. Ele destacou que a formação de professores reflete não apenas no desenvolvimento profissional dos docentes, mas também nas oportunidades oferecidas aos estudantes da rede pública.
“A UFS recebeu essa missão do Estado e mobilizou seus especialistas e professores que possuem as melhores capacitações e qualidades do nosso Estado, sendo referências no Brasil e no mundo. Tenho certeza de que esses docentes e todos os envolvidos entregaram o máximo de excelência para os nossos formandos de hoje”, ressaltou o reitor.

Com atuação em diversos polos no estado e o apoio de tutores e instituições parceiras, o PQD consolida-se como uma política de formação continuada que vai além da certificação acadêmica, promovendo mudanças graduais, porém significativas, na prática docente e na realidade das escolas públicas sergipanas.
A secretária de Estado da Educação de Sergipe (SEED), Maria Gilvânia Guimarães, o clima é de celebração pela parceria entre o Governo de Sergipe e a Universidade Federal de Sergipe (UFS). “Hoje é um dia festivo, é um dia que a Seed, junto com o governo e parceria com a UFS, celebram este momento de informação, de um investimento que foi feito numa segunda licenciatura dos nossos professores ou dos nossos servidores”.
A secretária também destacou que o programa é resultado de um investimento estratégico na valorização dos professores. Segundo ela, a definição dos cursos ofertados considerou as necessidades da rede estadual, e a qualificação desses profissionais tende a refletir diretamente na aprendizagem dos alunos. O programa de qualificação do trabalho docente, o PQD, é uma política pública de 30 anos no nosso estado e é muito importante a gente destacar que a universidade veio desde 1997 fazendo um trabalho para a primeira formação. Foi a partir desse momento que surgiu a parceria da Seed com a universidade. Então hoje esses profissionais que tanto se dedicaram ao trabalho docente ou ao trabalho técnico, eles tiveram uma oportunidade”, frisou.


A execução do programa conta ainda com o suporte da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão de Sergipe (Fapese). O diretor de projetos da instituição, Pábulo Henrique, explicou que a fundação atua na estrutura operacional do PQD, sendo responsável pela gestão administrativa, financeira e logística do projeto. Ele ressaltou que iniciativas como essa, com impacto significativo na formação de professores da rede pública, representam um motivo de orgulho para a instituição e reforçam a importância da parceria entre universidade e governo.
“Um projeto como esse, com impacto tão grande, tanto para a capacitação dos profissionais da rede pública de ensino de Sergipe, como também para a melhoria da propriedade, é fundamental para a gente e motivo de muito orgulho. É muita honra poder ter esse projeto passando pela Fapese, e hoje aqui, sendo consolidado com a formação de mais de 250 profissionais. Profissionais em suas segundas graduações”, finalizou o diretor.
Ascom UFS
