Ter, 13 de outubro de 2026, 10:34

Acessibilidade no Campus Itabaiana assegura formação e permanência de alunos com deficiência
Com nova Divisão de Inclusão, unidade amplia oferta de tecnologias assistivas e apoio especializado
Material em Braille produzido no Setor de Acessibilidade do Campus Prof. Alberto Carvalho. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
Material em Braille produzido no Setor de Acessibilidade do Campus Prof. Alberto Carvalho. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

O Campus Itabaiana da Universidade Federal de Sergipe (UFS), localizado no Agreste do estado, reafirma seu pioneirismo na oferta de práticas de inclusão e educação acessível aos discentes. Para isso, o Setor de Acessibilidade da Biblioteca do Campus Prof. Alberto Carvalho (BICAMPI) passa por uma reestruturação estratégica ao se transformar na Divisão de Inclusão e Ações Afirmativas (DIAF)

Com o objetivo de ofertar aos alunos tecnologias assistivas e materiais táteis e multidisciplinares, a nova divisão é referência na ampliação de um ambiente mais inclusivo e diversificado. Segundo o diretor do Campus Itabaiana, Victor Sarmento, o setor surgiu da necessidade de acompanhar de maneira mais efetiva os alunos com necessidades específicas.

“Antes, contávamos com o apoio da Daim, de São Cristóvão, mas, por ser um campus fora de sede, a comunicação não era tão rápida. Por isso, nossa gestão passou a trabalhar para construir, no próprio campus, um setor com um olhar mais atento a esses estudantes. Hoje, temos um corpo técnico que consegue conhecer quem está ingressando, monitorar e acompanhar cada aluno, buscando atender às suas necessidades. O setor é fundamental porque são os olhos da direção para esses estudantes”.


O diretor do Campus Itabaiana, Victor Sarmento. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
O diretor do Campus Itabaiana, Victor Sarmento. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

“Acredito que os campi do interior, que precisam de um apoio mais próximo, devem seguir esse exemplo. O Campus de São Cristóvão é enorme e tem muitas demandas, por isso é necessário descentralizar. Quando cada campus tem um setor próprio, consegue acompanhar o aluno de forma mais individual, conhecer suas necessidades e levá-las à Reitoria, em diálogo, para buscar melhores condições. O objetivo é garantir que esses estudantes percorram toda a sua trajetória acadêmica com o menor número de barreiras possível”, completa.

Aprovado no concurso em 2014, o transcritor do Sistema Braille, Nilson Andrade dos Santos, decidiu montar um setor de acessibilidade no Campus Lagarto utilizando sua formação acadêmica como uma forma de auxiliar alunos com deficiência. Em 2018, com a criação do Setor de Acessibilidade da BICAMPI, Nilson passou a atuar no Agreste sergipano em uma estrutura voltada não apenas à acessibilidade, mas também a pautas de grupos minorizados, como questões raciais e de gênero.

Ele explica que, apesar do aspecto estrutural, pautas inclusivas e a modernização dos materiais ofertados ainda são pontos que precisam ser trabalhados no campus.. “No campus, oferecemos um suporte amplo às necessidades específicas dos alunos, com foco em Libras, materiais em alto-relevo e Braille, além de ações para a permanência deles na universidade. Os recursos de tecnologia assistiva são pensados para isso. É o caso dos alunos do curso de Sistemas de Informação com baixa visão ou cegueira e dos alunos de Administração, que contam com recursos nos laboratórios de informática para acessar as informações”, destaca.


O transcritor do Sistema Braille, Nilson Andrade dos Santos. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
O transcritor do Sistema Braille, Nilson Andrade dos Santos. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

Entre softwares como o NVDA, lupas e scanners que digitalizam os materiais e os tornam mais acessíveis a esses estudantes, a acessibilidade na UFS Itabaiana vai além do aspecto estrutural. Ela busca enfrentar as barreiras que os alunos encontram no acesso à informação e as barreiras atitudinais, que persistem não só na universidade, mas em toda a sociedade.

Atualmente, o Campus Itabaiana possui 32 alunos ativos com necessidades específicas, entre deficiências visuais, físicas e auditivas, além de transtornos de desenvolvimento. A partir do acompanhamento realizado por profissionais especializados, são realizadas dinâmicas de oficinas de arte tátil e disponibilizadas máquinas para produção em alto-relevo, além de o setor contar com o apoio de parcerias externas do Instituto Benjamin Constant e da Fundação Dorina Nowill, que cedem e ofertam materiais didáticos direcionados a cada demanda.

Participantes do Setor de Acessibilidade, a intérprete de Libras do Campus Itabaiana, Daniela Passos, e a Técnica em Assuntos Educacionais, Daniela Mota Teixeira, destacam a diversidade dos alunos que estão presentes no campus e explicam que o apoio varia conforme a necessidade de cada um. Segundo Daniela Passos, esses recursos devem estar disponíveis antes que a necessidade surja, e não ser buscados somente depois do ingresso do aluno na universidade.


A intérprete Daniela Passos. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
A intérprete Daniela Passos. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

“Dois alunos, um com baixa visão e outro com cegueira, contam com bolsistas de apoio à inclusão, que os auxiliam na locomoção e na orientação até as salas de aula e demais espaços do campus, além de transcreverem as respostas em atividades avaliativas e provas. A aluna surda é atendida pelos intérpretes de Libras que compõem o setor, e os estudantes com deficiência físico-motora podem contar com cadeiras de rodas manuais e motorizadas. O setor dispõe ainda de lupas, assinadores e dominós acessíveis em Braille, usados para praticar a sensibilidade tátil”, completa Daniela Mota Teixeira.


A Técnica em Assuntos Educacionais, Daniela Mota Teixeira. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
A Técnica em Assuntos Educacionais, Daniela Mota Teixeira. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

Concluinte do curso de Sistemas de Informação do Campus Prof. Alberto Carvalho, em Itabaiana, e usuário do Sistema Braille, Jeilson dos Santos ingressou na UFS em 2016.2, quando o campus ainda não tinha setor de acessibilidade, e a estrutura física também era limitada. Segundo o professor Nilson que o acompanha, o primeiro contato entre os dois aconteceu por volta de 2021, no período da pandemia. A partir dessa conversa, o professor levou a demanda à direção do campus, que passou a buscar recursos para estruturar a acessibilidade. No início, o setor contava com um único servidor, sem formação pedagógica específica para atender às necessidades de estudantes como Jeilson. Hoje, o atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar.


O discente Jeilson dos Santos.  (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
O discente Jeilson dos Santos. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

Para o estudante, a existência desses espaços é de grande importância. “Vejo meus colegas atuando nessa área e percebo o quanto é importante trabalhar com pessoas com deficiência de forma inclusiva. No terceiro ano da graduação, fiz um artigo sobre acessibilidade e tentei levá-lo adiante. É importante ter inclusão e que o campus esteja cada vez mais acessível para todos”, afirma.

Ramon Oliveira, estudante de Sistemas de Informação do Campus Prof. Alberto Carvalho, em Itabaiana, destaca a importância da estrutura de inclusão que encontrou ao ingressar na universidade e a forma como o apoio contínuo tem feito diferença em sua graduação.

“É muito importante, porque, na base do ensino público, a inclusão é muito fragmentada. Quando cheguei aqui, não sabia que haveria toda essa inclusão. Hoje, o maior suporte que recebo no dia a dia é na locomoção”, relata. Para quem sonha em cursar o ensino superior, ele deixa um recado: “É importante ingressar, e a UFS está se adaptando cada vez mais para atender às necessidades dos estudantes”.


O estudante Ramon Oliveira. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
O estudante Ramon Oliveira. (Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)

Olhando para trás, Ramon diz que falaria ao seu eu do passado que tudo daria certo. “Eu tinha muita vontade de ir para outros cursos, mas consegui entrar na UFS”, conta. Sobre o futuro, o estudante projeta: “Conseguir me formar e ter uma carreira sólida na área”.

Giulia Meneses - Ascom UFS


(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
(Foto: Jackson Bandeira/Ascom UFS)
Atualizado em: Ter, 13 de outubro de 2026, 15:21
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