
O Centro de Cultura e Arte da Universidade Federal de Sergipe (Cultart/UFS) foi tomado por sons, narrativas e encontros nessa última quinta-feira, 5, durante a terceira edição do projeto Seja Cult. A iniciativa gratuita reafirma o espaço como um dos principais polos de valorização da produção cultural sergipana, aproximando a universidade e a comunidade por meio da arte.
A programação reuniu apresentações dos grupos Burundanga e Tambor de Bença, além da exposição “Visibilidade Feminina no Audiovisual Sergipano”, da fotógrafa Pritty Reis. O evento contou com apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UFS (Proex) e do Circuito Banco do Nordeste Cultural.
Ritmo e ancestralidade
Os tambores ecoaram ancestralidade, memória e resistência pelo Cultart, convidando o público não apenas a ouvir, mas a sentir e participar da programação.
Para Cah Acioli, violonista e cantor do Tambor de Bença, iniciativas como o Seja Cult são essenciais para a sobrevivência da cultura popular.
“Sem política pública é difícil a gente fazer cultura, é difícil a gente produzir e se manter. Trazer de uma maneira gratuita, obviamente dentro de uma parceria com a instituição, com política pública, é muito importante. É essencial, e quanto mais eventos gratuitos melhor, para que sejam acessíveis a toda a população”, destacou.
A cantora Anabel Vieira também ressaltou a importância simbólica do espaço. “Eu vivi o Cultart desde muito nova. Esse lugar pulsava vida e passou um tempo esquecido. Trazer o tambor pra cá é essencial. É massa que o Cultart seja no Centro para que eles nos vejam, mas também para que a gente veja eles”, afirmou.

O Fundador do grupo Burundanga, Pedrinho Mendonça, também reforçou o papel educativo e de preservação cultural local. Segundo ele, ocupar um espaço público como o Cultart amplia o alcance dessas manifestações e fortalece a identidade cultural do estado. “O Cultart é um espaço público, federal, educativo e agora com parceria. Eu fiquei muito satisfeito porque voltou à casa, renovando com novos artistas”, finalizou.

Mulheres no audiovisual em Sergipe
Além da música, a edição também contou com a exposição “Visibilidade Feminina no Audiovisual Sergipano”, da fotógrafa Pritty Reis, formada em Comunicação Social com habilitação em Audiovisual pela UFS. O trabalho lança luz sobre a atuação de mulheres que constroem o cinema sergipano, mas não são vistas por trás das lentes.

“Existe uma cenário audiovisual forte no estado, mas muita gente não sabe quem faz, nem imagina que são mulheres. A exposição nasce desse incômodo: tornar essas mulheres visíveis, reconhecer quem está fazendo cinema aqui”, explicou Pritty.
A mostra reúne o trabalho de dez mulheres que, segundo a fotógrafa, atravessaram sua trajetória desde os primeiros passos na universidade. “Esse trabalho é um gesto de reconhecimento, memória e gratidão. Uma forma de afirmar que elas sempre estiveram aqui. E seguem abrindo caminhos”, detalhou.

Sobre a participação no projeto, ela destacou a importância da união entre a cultura popular e a universidade, ressaltando que seus trabalhos sempre dialogam com esse universo e que o convite para integrar um evento que reúne diferentes linguagens artísticas representa um momento significativo de sua trajetória.
“Eu acho muito importante essa união da cultura popular com a Universidade. Nos meus trabalhos, eu sempre estou nesse universo cultural, então ser convidada para participar desse evento hoje foi maravilhoso e estar com uma exposição dentro de um evento que vai agregar tantas artes diferentes também é muito feliz”, disse.
A curadoria é assinada por Manoela Veloso Passos, que esteve presente para aproveitar a programação e destacou a importância de dar visibilidade à produção local. “Quanto mais a gente colocar em evidência a cultura sergipana, mais as pessoas vão conhecê-la”, pontuou.
Para o público, o evento reforçou a importância de espaços culturais abertos e acessíveis. Lissa Violeta, que acompanha a trajetória da banda Tambor de Bença desde a criação, destacou o caráter educativo e ancestral da apresentação. “A banda traz o samba de matriz africana, os pontos de terreiro, a cultura do candomblé. Esse é o diferencial. Não é só música, é identidade e memória”.

Mais do que uma programação artística, o Seja Cult se consolida como um convite à vivência da arte de forma coletiva, plural e democrática, reafirmando o Cultart como espaço de resistência cultural e diálogo entre universidade e sociedade.
